Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/10/2021
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à higiene menstrual é tido como um direito e deve ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Porém, no Brasil, a realidade das meninas e mulheres é completamente diferente. Muitas vivem na “pobreza menstrual”, onde se tem a falta de acesso não somente a itens básicos de higiene durante o período menstrual, mas também de informação, dinheiro para comprar absorventes e apoio. Além disso, hoje, no Brasil, os absorventes não são tidos pela lei como produtos de higiene básica, o que impede que eles façam parte do conjunto de itens essenciais em cestas básicas e sejam isentos de impostos cobrados pelo Governo Federal. E a falta de higiene menstrual pode trazer consequências para as garotas, como prejuízos na escola e na saúde.
Primeiramente, é importante citar que, segundo a antropóloga Miriam Goldenberg, uma em cada quatro meninas brasileiras faltam à aula durante o período menstrual por não possuírem dinheiro para comprarem absorventes, e dessas, 50% nunca falaram sobre o assunto na escola. Isso acontece, principalmente, pela perda de confiança e autoestima das garotas por não estarem usando o produto. Ademais, segundo o relatório “Livre para Menstruar”, 20% das adolescentes do Brasil não possuem água tratada em casa e 200 mil estudam em escolas com banheiros sem condições de uso, o que torna ainda mais difícil o manejo da higiene menstrual, e o maior constragimento em ir para a escola durante a menstruação.
Além disso, ainda segundo Miriam Goldenberg, a falta de acesso a absorventes provoca ainda grandes riscos à saúde das garotas, visto que muitas buscam alternativas perigosas para lidar com a situação. De acordo com a antropóloga, 80% das mulheres entrevistadas já utilizaram papel higiênico como item substitutivo do absorvente, enquanto 50% já utilizou roupas velhas com o mesmo objetivo. Tais itens podem trazer riscos para a saúde, pois podem provocar lesões nos órgãos reprodutores femininos e infecções no trato urinário, além de uma grande diversidade de inflamações e complicações.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para resolver o problema da pobreza menstrual. Inicialmente, o Governo Federal deve fazer campanhas de arrecadação de absorventes e produtos de higiene menstrual, juntamente com os governos estaduais. Ademais, as escolas devem fazer palestras sobre o tema, para que as garotas não se sintam constrangidas ao falar sobre menstruação, para que assim as garotas menos favorecidas consigam ter acesso aos produtos para que não sofram com problemas no futuro.