Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/10/2021
O que é pobreza menstrual? É a falta de itens básicos de higiene na época da menstruação, por falta de dinheiro e/ou informação, e isso atinge mais de 4 milhões de meninas no brasil, segundo uma pesquisa feita pelo Unicef. Essas moças usam jornais, pedaços de pano, folhas de árvores e até pedaço de pão para conter a menstruação por não ter condição de comprar um absorvente, acarretando muitos problemas para a saúde e educação delas. Mesmo a própria Organização das Nações Unidas (ONU) considerando o acesso à higiene menstrual um direito que precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos, o governo não aceita programas de distribuição de absorvente gratuitamente, o que dificulta muito a vida de pessoas com útero que não podem comprar.
Por muitas moças viverem em uma realidade em que o absorvente é um item de luxo, elas não vão à escola, por conta do medo de vazar e ser taxada de suja e asquerosa, o que leva ao bullying e, depois de muito sofrimento, o abandono da escola. Ficando com esse medo internalizado de uma forma que afeta o seu desenvolvimento humano na sociedade, por exemplo com medo de usar roupas brancas e até medo de sair de casa. Por outro lado, aquelas que vão à escola, tem que usar elementos inapropriados para conter a menstruação, o que pode causar uma infecção vaginal, sendo ela momentânea ou duradoura, chegando até a afetar a fertilidade delas. E todos esses problemas podem ser resolvidos se houver a distribuição de absorventes pelo governo.
A deputada federal Tabata Amaral, em 2020, apresentou um projeto para oferecer os itens de higiene menstrual em lugares públicos, como escolas, presídios e hospitais públicos, mas foi alvo de chacota por outros deputados, menosprezando a causa dela como se fosse algo insignificante. Isso por conta que eles não entendem, e não querem entender, o quanto isso é importante para as pessoas com útero e terem a mente fechada apenas para o mundo masculino. Um exemplo disso é o presídio, em que são distribuídos objetos de higiene comum, sem absorvente para as que têm útero, apesar de hoje o departamento penitenciário estar orientando suas prisões para distribuírem em média 12 absorventes por mês.
Para conseguirmos diminuir a pobreza menstrual, o governo deveria aprovar o projeto da deputada Tabata e investir mais nesse quesito, já que temos a aprovação do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) na Recomendação 21. Além das escolas terem aulas sobre a menstruação para todos os alunos, tentando tirar esse tabu que existem sobre a vivência feminina, com aulas didáticas e palestras de pessoas com útero sobre suas experiências. E também incentivar as pessoas a arrecadarem os produtos de higiene menstrual, com criação de ONGs, como a Girls Up.