Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de relações social, uma pobreza menstrual funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informações e de prioridade governamental impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.

Em primeira análise, uma restrição de acesso ao conhecimento mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Segundo Arthur Schopehauer, “os limites do campo de visão das pessoas determinam sua compreensão acerca do mundo”. Nessa fala, o filósofo justifica a causa da problemática: se os indivíduos não possuem informações suficientemente corretas - dados, instruções - sobre a menstruação, o campo de visão será limitado, e muitas meninas sofrerão com o medo de não saber agir perante situações biológicas naturais, como o sangramento vaginal. Por esse aspecto, a consequência será uma maior insegurança dessa faixa etária - adolescentes - com assuntos posteriores, como sexo e gravidez, pois não recebem influência educacional que possibilite a instrução e o debate sobre os temas, culminando em possíveis doenças por sexo sem precaução e gravidez indesejada. Por isso, é evidente que jovens mulheres precisam ser informatizadas acerca de situações básicas da vida feminina para construir relações de convivência social harmoniosas no país.

Em segunda análise, a carência de prioridade do governo apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar social. Conforme Thomas Hobbes, “o governo deve garantir o bem-estar social”, ou seja, deve proporcionar benefícios de forma igualitária a todos cidadãos. Nessa questão, o Estado não aplica essa máxima Hobessiana na prática, visto que muitas meninas sofrem de pobreza menstrual pela falta de incentivo em infraestrutura, como exemplo, a compra de absorventes, anticoncepcionais e higiene pessoal, atos negligenciados pelo órgão máximo da justiça. Essa negligência ocorre pela falta de atenção do corpo político que deveria investir em ações afirmativas - monetização - para mudar a situação, dificultando a resolução do problema e a vida do público feminino.

Portanto, medidas são necessárias para diminuir a pobreza menstrual. Por conseguinte, cabe à Escola realizar palestras, ministradas por psicólogos, em ginásios escolares, com o “slogan”: “A menstruação”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo - aberto e gratuito - a toda população sobre o que é menstruação e como agir, com dados, infográficos instrucionais e exemplo, de modo que meninas e pais presentes possam ser incentivados a cuidar da vida sexual e da higiene pessoal, resultando na informatização social e na segurança feminina em assuntos em prol de relações sociais harmoniosas.