Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/10/2021
Reside no senso comum a ideia de que, as mulheres não possuem problemas durante seu período menstrual. É, entretanto, um conceito falacioso. Especialmente quando atentamos não somente as mulheres de baixa renda que durante esse período passam por dificuldades, mas também o medo, a vergonha e o tabu que diariamente todas enfrentam.
Primeiramente, vale ressaltar que por mais que o absorvente pareça algo comum entre as meninas, muitas não possuem o privilégio de ter esse item em casa devido a falta de dinheiro. Segundo a empresa Johnson & Johnson, cerca de 28% das mulheres de baixa renda são afetadas pela pobreza menstrual no Brasil e 94% dessas mulheres não sabem o que é ou nunca ouviram falar sobre pobreza menstrual. Mediante a isso, é notório a carência dessa população de mulheres, pois muitas além de não obter o produto de higiene, não possui as informações necessárias para identificar a realidade de vulnerabilidade que estão vivendo. Até hoje o absorvente é considerado por muitos, um produto cosmético, não relacionado às necessidades básicas de higiene da mulher. Desse modo, pois moças que não possuem conhecimento ou condição, utilizam itens, como miolo de pão, algodão, jornal sujo e outros elementos que podem gerar uma infecção grave.
Outrossim, é necessário notabilizar o grande tabu que existe na sociedade quando se fala sobre a menstruação. Segundo os dados da ONU, no mundo, uma a cada dez meninas já faltou às aulas durante o período menstrual. Dessarte, é mister ressaltar que muitas dessas meninas optam por ficar em casa devido o medo do ambiente escolar, pois o absorvente pode não comportar o fluxo menstrual e acabar por manchar sua roupa ou até suja sua cadeira, tornando-a um motivo de piada para seus colegas. Vale salientar que a menstruação é algo que não é abertamente comentado, uma vez que, há vergonha e receio por parte das meninas e “nojo” por parte dos meninos, ocasionando a cada dia maior restrição em falar de algo que é necessário e natural do organismo feminino.
Em face às informações, é dever do Governo Federal em parceria com o Ministério da Saúde e Educação promover projetos de conscientização menstrual, que ocorrerá por meio de mais verba liberada do governo, para proporcionar kits de higiene básica para cada aluna da rede de ensino pública, dispor absorventes gratuitos nos postos para que todas as mulheres tenham acesso e desenvolver campanhas nas escolas, redes sociais e nos bairros carentes para explicar e falar abertamente sobre a menstruação. Assim, será possível diminuir o preconceito, a intolerância e o tabu que existe na sociedade, além de proporcionar às mulheres um período menstrual tranquilo e com sua higiene básica em dia para não ter que utilizar elementos que possam gerar prejuízos a saúde e vagina.