Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

Com a Constituição brasileira de 1988, ficou estabelecida a garantia do acesso à saúde básica para toda a população. Entretanto, na realidade, tal direito constitucional é uma regalia, uma vez que a pobreza menstrual faz parte da vida de muitos brasileiros que possuem uma condição financeira ruim.

Tal fato deve-se não só à condição de extrema pobreza de algumas pessoas, como também à marginalização de grupos sociais.

Em primeiro plano, vale ressaltar que existem mulheres que não têm o necessário para comprar produtos básicos de higiene, como absorventes, e ainda ter sobras para adquirir produtos vitais, como a comida. Tendo isso em vista, de acordo com o IBGE, em 2017, mais de dez milhões de brasileiros viviam em privação severa de alimentos. Nesse sentido, fica evidente o quanto a população sofre por não ter acesso a elementos fundamentais a vida saudável, a qual tem que viver em situações de pobreza menstrual para poder ter o essêncial, como a alimentação, para a sobrevivência, o que faz com que mesmo a saúde sendo um direito, ainda é privada de pessoas mais pobres.

Em segundo plano, outro fator determinante para o problema é a marginalização de certas comunidades, as quais, por não terem a devida atenção do Estado, ficam sem a garantia de que irão receber recursos higiênicos. Diante disso, segundo a escritora Simone de Beauvoir, que criou o conceito de Invisibilidade Social, há um apagamento de determinados grupos excluíduos. Com isso, percebe-se que ao deixar de lado camadas da sociedade, como as de renda mais baixa, essas serão esquecidas pelos agentes estatais, e consequentemente, privadas de recursos, o que corrobora para a manutenção do problema.

Diante disso, pode-se perceber que há um grande número de pessoas no Brasil que vivem em situação de pobreza menstrual.  Dessa maneira, é imperativo que o Ministério da Economia crie projetos que visem promover uma maior distribuição de recursos higienicos voltados para o tema, principalmente para indivíduos que não possuem condição financeira para obtê-los, por meio da busca por locais de populações de baixa renda, as quais carecem de atenção do Estado, para que, com o maior alcance, essa parcela da sociedade não tenha que passar pela carência de higiene. Logo, esses produtos serão melhores distribuidos pelo país, e as pessoas terão uma vida com melhor saúde.