Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 15/10/2021

A Constituição Federal de 1988 diz que a saúde é um direito de todos e deve ser garantido pelo Estado, mediante políticas sociais e econômicas. Porém, na realidade isso não tem sido cumprido e há muitos desafios quando se trata de combater a pobreza menstrual enfrentado por muitas mulheres no século XXI. Nesse contexto, existe uma lacuna sobre a precariedade da saúde feminina que é dado pela desigualdade social e pelo silenciamento por parte da sociedade.

É imperativo ressaltar a desigualdade social como promotor do problema. Partindo desse pressuposta, a parcela populacional menos favorecida não possui condição financeira suficiente que permite o acesso a compra de absorventes, o que pode acarretar o aumento da evasão escolar, infecções e alergias como a candidíase.

Também vale discutir em como o tabu imposto em relação ao tema afeta a solução do problema. Nesse viés, a menstruação não é colocada devidamente em pauta, além de o assunto ser polemizado e invisibilizado, o que demonstra uma postura retrógrada em relação à saúde pública e a não superação de estigmas com relação à sexualidade feminina. O documentário “Absorvendo o tabu”, da Netflix, demonstra o empreendimento de indianas com a venda de absorventes para arrecadar dinheiro e ajudar outras mulheres em situação de pobreza menstrual, em um país com forte tradicionalismo e censuras no que diz respeito ao tema.

Percebe-se, portanto, a necessidade de mitigar a pobreza menstrual. Assim, é fundamental que o Ministério da Saúde distribua absorventes em todas as Unidades Básicas de Saúde de forma gratuita, por meio de emendas, a fim de tornar acessível os insumos tão importantes para as mulheres. Dessa maneira, amenizaremos os impactos causados pela pobreza menstrual no nosso país e tornaremos a vida de muitas mulheres mais fáceis nesses períodos tão difíceis