Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 20/10/2021
O Brasil é uma nação estruturalmente machista, o que é percepítivel ao analizarmos como estátisticas da pobreza menstrual no Brasil, desde os primórdios da sociedade, o ciclo menstrual feminino tem sido concebido como um tabu, algo que a mulher precisa mascarar. Defini-se como a falta de infraestrutura, recursos e conhecimentos para mulheres têm capacidade de cuidar de sua menstruação.
Afinal, a discussão sobre a falta de cuidados básicos como mulheres de baixa renda em seu período menstrual quando acontece é superficial, uma vez que o currículo escular organiza saberes para que sejam utilizados em vestibulares; não como vivência coletiva social, além de o governo não tratar este assunto como uma pauta importante. Dessa forma, poucos profissionais reconhecem a importância e influência da pobreza menstrual para a sociedade, tampouco como lidar com a situação. Na série “Anne com um E” passado em 1908, quando um personagem principal teve sua menarca, além de não obter nenhuma ciência sobre o assunto, ao compartilhar seus colegas de classe foi silenciada pelas próprias, pois acredita que não se deve discutir sobre tal assunto, sendo assim uma vergonha para as mesmas.
Como diria a filósofa e feminista, Djamila Ribeiro, “Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.”, No início de outubro de 2021, foi levado ao senado uma proposta do presidente, que se tratava de cortar investimentos para o acesso gratuito aos absorventes para presidiárias, pessoas de ensino público com baixa renda, etc, se tratava de “gasto desnecessário” para o país, e o senado foi a favor. Dado essas informações se levanta um questionamento, se menstruar é algo tão natural e comum, porque os absorventes ainda são considerados produtos de beleza? Como é viver numa sociedade onde a necessidade básica é tratada como luxo?
A legislação brasileira precisa, portanto, aumentar os inventimentos para a distribuição gratuita de absorventes, a fim de garantir quantidades necessárias para mulheres e homens trans de baixa renda terem o necessário para cuidar-se, além disso, palestras de educação menstrual são de grande valia em escolas públicas e dentro de casa. A sociedade tratar algo de tão grande valia como uma coisa redundante é um descaso a luta das mulheres de busca por igualdade em todos esses anos.