Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 17/10/2021
Algumas semanas atrás, o Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, vetou um projeto de lei que propunha a distribuição gratuita de absorventes para pessoas de baixa renda. Tal fato evidencia um sério problema de saúde pública do nosso país, a pobreza menstrual, que por falta de informação e recursos causa uma série de transtornos a uma grande parcela da sociedade.
Apesar de ser um processo natural, a menstruação historicamente foi considerada um tabu. Visto como castigo divino ou impureza inerente à mulher, tornou-se um mistério para a parcela masculina da população, que encara o ciclo menstrual com nojo e medo. Esta indisposição impede que o conhecimento seja difundido na sociedade, fazendo com que até mesmo na atualidade as autoridades tomem decisões baseados em ignorância e preconceitos. Autoridades que, em sua maioria, são homens e que não compreendem o sofrimento acarretado pela pobreza menstrual.
O período menstrual promove uma série de alterações hormonais no corpo de uma pessoa, desde possíveis flutuações de humor e mudanças físicas até a liberação de sangue pelo útero. A falta de acesso a itens de higiene pessoal como coletores menstruais ou absorventes pode transformar este fenômeno em um empecilho para a realização das atividades cotidianas, além de potencialmente acarretar problemas de saúde.
A inclusão de conteúdo informativo sobre a menstruação e métodos para lidar com ela na Base Nacional Comum Curricular de Ensino Médio pelo Ministério da Educação pode ajudar a diminuir o impacto negativo da falta de acesso aos itens de higiene, ensinando métodos artesanais de controle do fluxo menstrual para a população que não tem cesso a tais itens. É importante garantir que a população conheça melhor sobre esta questão, combatendo o obscurantismo, em especial os adolescentes, que ao passar pela puberdade tem seu primeiro contato com esse aspecto da vida adulta.