Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 18/10/2021

A série da HBO “Grey’s anatomy” introduz uma temática de cirurgias e carreiras médicas, abordando, também, os impactos da precariedade socioeconômica na saúde da população. Fora da ficção, é notório que a obra possui, infelizmente, verossimilhança alta no que tange a um tema de altíssima relevância na sociedade brasileira do século vinte e um: os desafios no combate à pobreza menstrual. Diante desse cenário, é imperativo ressaltar que a inércia governamental é um fator que dá manutenção ao tema e, por consequência, acarreta na falta de investimentos estatais.

Nesse contexto, vale ressaltar que o governo federal, como maior órgão do país, é o agente necessário para propor uma mudança no tema, conquanto, ele não a faz. Segundo a filósofa Hannah Arendt, o âmbito governamental passa, em doses distintas, doutrinas de pensamento para sua população, guiadas, mormente, por seus planos e projetos sociais. Desse modo, entende-se que tal teoria se aplica à atual conjuntura brasileira, haja vista que o Estado prefere não agir na luta contra a pobreza menstrual, fato esse que se comprova ao analisar que nenhum projeto estatal se propõe a alterar essa realidade. Em suma, fica evidenciado que o atraso nas dinâmicas sanitárias e de saúde básica são geradas, sobretudo, pela inércia governamental, trazendo, logo, danos à nação.

Ademais, é urgente dizer que a falta de investimentos, por intermédio da ineficácia do governo, traz inúmeras consequências para a questão. Nessa ótica, é pertinente lembrar que o artigo sexto da Constituição Federal democratiza direitos à uma saúde adequada e à assistência aos desamparados dentro da sociedade. Em contra partida, analisando a Lei orçamentária de 2021, nota-se uma redução de 20% na verba do Ministério da Cidadania e uma redução de 12% no Ministério da Saúde. Nessa lógica, correlatando-se os fatos, fica evidente que alguns fatores da Constituição são mais teóricos do que práticos, visto que a retirada de verba de pontos imponentes na sociedade dificulta a busca por uma melhor qualidade de vida e, também, a resolução da pobreza menstrual no país. Enfim, deve-se compreender que apenas com programas sociais a problemática será resolvida, porém, primordialmente, cabe ao Estado valorizar a prática.

Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Logo, A fim de combater a pobreza menstrual no país, urge ao Ministério da Cidadania, junto ao Ministério da saúde, promover programas sociais que visem alterar a realidade do problema, por meio de investimentos do Estado. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a restituição da antiga verba estatal para estes Ministérios. Por fim, espera-se não somente uma melhora significativa na luta contra dinâmicas sanitárias desiguais e precárias, mas também que casos como o da série “Grey’s Anatomy” deixem de ocorrer.