Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 18/10/2021
No documentário “Absorvendo o Tabu” um grupo de ativistas investiga a relação dos indianos com o ciclo menstrual. No caso dos homens, o preconceito é enorme, já no caso das mulheres, a vergonha, a falta de conhecimento e o inacesso aos absorventes são os problemas. Analogamente, no Brasil, o estigma associado a menstruação é responsável pela falta de recursos e políticas públicas que contemplem o assunto, tornando o combate a pobreza menstrual mais difícil.
Primeiramente, é necessário ressaltar que a pobreza menstrual afeta muitas alunas da rede pública de ensino, que não fornece boa infraestrutura de higiene. Nesse sentido, na segunda temporada da série “Segunda Chamada”, uma das alunas rouba um rolo de papel higiênico para usar como absorvente. Fora da ficção, diversas mulheres faltam aulas por conta da carência de produtos sanitários, o que prejudica suas respectivas formações. Dessa forma, é clara a necessidade de medidas que tornem os absorventes acessíveis em ambiente escolar.
Ademais, “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Esse trecho de Carlos Drummond de Andrade expressa a desigualdade econômica e social no Brasil, a qual limita que parte das pessoas tenha acesso a vários recursos, como, por exemplo, o absorvente. Assim, é importante salientar que mulheres em situação de desamparo ou de rua sofrem com a carência desse recurso, recorrendo, em certos casos, a papéis higiênicos, miolos de pão ou pedaços de papelão. Portanto, é essencial a distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde.
Em síntese, mudanças são urgentes. O Ministério da Educação deve criar oficinas de produção de bioabsorventes, para que as alunas produzam os seus próprios absorventes, através da contratação de profissionais que as auxiliem. Ao “MEC” ainda cabe o oferecimento de palestras para desestigmatizar a menstruação. Ao Ministério da Saúde cabe a distribuição gratuita de absorventes, por meio de políticas públicas eficientes, com o objetivo de garantir esse recurso a mulheres carentes ou sem abrigo.