Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/10/2021
Título: menstruação medieval: o Brasil no século XXI
Durante a Idade Média, que perdurou do século V até meados do século XV, era comum o uso de tecidos durante a menstruação feminina. No entanto, o uso desses tecidos ocasionava diversas infecções bacterianas em função da lavagem inadequada. Na contemporaneidade, ainda existem problemas sérios acerca da menstruação, como a sua estigmatização e a falta de políticas públicas que promovam a higiene menstrual. Portanto, deve-se analisar os problemas no combate à pobreza menstrual no Brasil.
Em primeiro lugar, existe uma estigmatização relativa à menstruação. Nesse sentido, essa estigmatização é gerada por um pensamento medieval: de que a menstruação é algo sujo, quando, na verdade, se trata de um fenômeno biológico natural a todas as pessoas com útero. Para exemplificar, segundo a antropóloga Mirian Goldenberg, 25% das meninas faltam à aula por não possuírem absorventes, e destas, metade não falam sobre o assunto na escola. Logo, para essas meninas, a menstruação é algo que deve ser escondido, em decorrência do tabu gerado ao falar sobre o assunto.
Ademais, a falta de políticas públicas no combate à precariedade da menstruação corroboram para a permanência do panorama atual. Desse modo, no ano de 2021, foram propostas medidas legislativas que visavam a democratização da dignidade menstrual, por meio da distribuição de absorventes para estudantes de baixa renda. Entretanto, essas propostas não foram aprovadas, indo contra o que determina a Organização das Nações Unidas (ONU), que aponta, como direito humano, acesso à higiene menstrual.
Por fim, é dever do Ministério da Saúde, combater a pobreza menstrual, trazendo dignidade e saúde para as pessoas que menstruam, por meio da distribuição de absorventes em postos de saúde, que serviriam como pontos de coleta, semelhante à distribuição de preservativos.