Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 22/10/2021

Em sua tese, o filósofo alemão Jurgen Habermas defende a necessidade da sociedade questionar suas próprias tradições que, por vezes, não se destacam entre os maiores interesses da coletividade. Nesse sentido, tratar de menstruação no Brasil ainda é uma realidade cerceada de estigmas construídos por tradições baseadas nas prioridades masculinas, as quais restringem a vivencia feminina ocultando a questão do acesso precário a produtos de higiene íntima na menarquia. Dessa forma, os desafios do combate à pobreza menstrual advém do desamparo de políticas públicas e da desinformação acerca Nessa perspectiva, aponta-se o descaso do governo federal em promover uma ação incisiva de amparo às mulheres em situação de vulnerabilidade durante o período menstrual. Como indício disso, tem-se o comportamento de indiferença do representante do poder executivo com o problema, vetando a distribuição de absorventes previsto no Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, aprovada pelo Congresso Nacional. Essa conduta lamentável demonstra um desserviço social, pois, dentre as consequências desse problema, destaca-se o acesso à educação prejudicado pela falta de aquisição de produtos de higiene menstrual apropriados, os quais acabam sendo substituído por outros prejudiciais à saúde íntima feminina principalmente entre populações de adolescentes e de jovens mulheres em condição de pobreza. Dessa forma, retomando a tese do filósofo alemão, ponderar sobre as necessidades tanto do homem como da mulher é fundamental para um estado de igualdade e justiça tal qual ordena a Constituição de 1988, visto o pertinente interesse em contornar à pobreza menstrual no Brasil. do problema, consolidando, assim, um retardo social para sociedade brasileira.

Outrossim, percebe-se, ainda, a deficiência de informações adequadas sobre a temática debatida, o que limita a sociedade a pensar criticamente acerca do problema supracitado, além de fomentar estigmatização da menstruação. Segundo a antropóloga norte-americana Margaret Mead, as diferenças entres os sexos são criações culturais, ou seja, os papéis associados ao gênero não estão associados às diferenças do sexo biológico, mas reflete nas condições culturais de cada sociedade. Nesse ponto, observa-se o tabu gerado em relação ao corpo feminino inibindo o debate das suas particularidades ainda no século XXI, sobretudo acerca da menstruação que, assim, dificulta o discussão a respeito da pobreza menstrual. Logo, com um pensamento limitado, a sociedade perpetuará um comportamento de indiferença à problemática similarmente à postura do seu presidente.