Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/10/2021

Na Grécia antiga, quando a democracia estava sendo estabelecida, as mulheres não se encaixavam nos requisitos para ser um cidadão, sendo discriminadas diariamente. Analogamente, tal preconceito ainda persiste na atualidade, visto que várias pessoas do sexo feminino passam por diversos desafios, como no combate à pobreza menstrual no Brasil, na qual a parte pobre do país sofre com a falta de absorventes. Nesse sentido, a causa desse entrave pode ser tanto por conta do patriarcalismo enraizado na sociedade, quanto pela falta da normalidade do assunto, que muitas tem receio de discutir sobre o tema.

Em primeiro lugar, deve ser ressaltado como o machismo presente na população afeta diretamente na distribuição gratuita de absorventes. Nesse viés, é pertinente trazer o discurso da escritora Simone De Beauvoir, que disse: “A humanidade é masculina, e o homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele; ela não é considerada um ser autônomo”. Diante disso, por conta do homem as definirem de maneira errônea, agem de maneira displicente, não havendo preocupação do Poder Legislativo. Dessa forma, implicando na criação de leis no tocante ao fornecimento dos produtos higiênicos fundamentais, devido ao preconceito existente.

Em segundo lugar, vale salientar como a ausência da normalidade dos debates sobre as necessidades femininas na sociedade pode acarretar problemas para elas. Acerca disso, a fala da escritora Chimamanda Ngozi Adichie se torna importante, que enunciou: “Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal.” Sob esse prisma, muitas deixam de comentar sobre sua menstruação, causando um impasse para o cessamento do entrave. Isso ocorre devido à carência de discussões referente ao tema, gerando medo da repressão popular. Dessa maneira, dificultando a compreensão da importância do combate à pobreza menstrual no Brasil.

Torna-se evidente, portanto, que são necessárias medidas capazes de acabar com tais adversidades. Para isso, cabe às instituições escolares elucidarem os alunos sobre os problemas do machismo, por meio de palestras com ativistas feministas, a fim de que as crianças e adolescentes não cresçam com ideias patriarcais. Além disso, é preciso que a mídia encoraje as mulheres a falarem sobre o assunto, com o intuito de normalizar a menstruação na sociedade. Ao realizar essas intervenções, certamente haverá uma drástica diminuição nos desafios a esse combate.