Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 20/10/2021
No filme de terror “It: A coisa” a personagem Beverly rouba absorventes de uma farmácia por não ter condições de pagar por um. Fora das telas, essa é a realidade de muitas mulheres no Brasil vigente, uma vez que, a pobreza menstrual cresce gradativamente. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da negligência governamental e da ineficácia educacional.
Em primeiro plano, é preciso atentar para a inoperância do governo presente na questão. Segundo Friedrich Hegel, é dever do Estado proteger os seus filhos. Nesse sentido, o Estado não promove ações públicas para garantir a acessibilidade de itens de higiene à população carente. Nessa perspectiva, é necessário a atuação do Governo, juntamente com o Ministério da Saúde, para distribuir itens de higiene nas periferias e para moradores de rua, visto que, sem tal amparo, os vulneráveis recorrem ao uso de outros métodos de coletar a menstruação, o que pode acarretar doenças como infecções urinárias. Logo, o Estado em vez de promover ações que atenuem a pobreza menstrual, acaba consolidando o problema.
Além disso, cabe ressaltar que a base educacional deficitária é um forte empecilho para a resolução do problema. Para Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à pobreza menstrual, percebe-se uma forte influência dessa causa, já que muitas escolas não oferecem itens básicos de higiene nos banheiros femininos, e ainda, não abordam conteúdos sobre educação sexual que tratem sobre os cuidados necessários durante a menstruação. Assim, sem o auxílio das escolas, esse assunto é silenciado na sociedade.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução do problema. Dessa maneira, cabe ao Estado, juntamente com o Ministério da Saúde, por intermédio de verbas, distribuir kits de higiene pessoal nas periferias e para a população de rua, a fim de tornar acessível itens básicos de saúde e evitar casos de infecções urinárias com o uso de absorventes e coletores menstruais presentes neste kit. Outrossim, cabe às escolas, fornecer palestras que abordam a importância da higiene durante o período de menstruação, a fim de que, contribua para atenuar a falta de informação sobre a problemática. Somado a isso, as escolas com a ajuda da mídia, devem movimentar iniciativas populares, com o fito dos cidadãos apresentarem à Câmara dos Deputados projetos de lei que visem a distribuição de absorventes nos banheiros das escolas. Somente assim será possível reverter o quadro e, ademais, evitar que a situação vivenciada por Beverly não se torne realidade.