Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 21/10/2021

“Pela maior parte da História,‘anônimo’ foi uma mulher”.Essa frase da escritora britânica Virgínia Woolf nos permite refletir sobre a condição secndária em que a sociedade colocou as mulheres ao longo dos anos.Assim,nesse contexto se faz necessária a discussão acerca dos desafios presentes no combate à pobreza menstrual no Brasil.Dessa forma,destacam-se aspectos inerentes à sociedade e ao desenvolvimento econômico.

A priori,é importante salientar que o acesso à higiene menstrual só foi considerado um direito pela Organização das Nações Unidas no ano de 2014.Isso permite concluir que a saúde da mulher foi - e,em alguns aspectos,ainda é - negligenciada,uma vez que,seu papel na sociedade esteve ligado essencialmente ao de exercer a maternidade,deixando aspectos como a sua sexualidade em segundo plano.Tal fato leva a falta de informação e apoio a respeito do período menstrual,fazendo com que muitas meninas sintam vergonha do próprio corpo.Ademais,questões como a não distribuição de absorventes pelo sistema público de saúde brasileiro,como ocorre com a camisinha,ajudam a reforçar esse conservadorismo na promoção à saúde feminina na sociedade atual.

Em segunda análise,destaca-se a posição da Senadora Zenaide Maia,relatora da SUG 43/2019,a qual prevê distribuição de absorventes em postos de saúde e prisões,que afirma “ser caro menstruar”,já que o valor gasto por ciclo pode equivaler a 10% da renda dos mais pobres.Essa situação afeta o desenvolvimento econômico do país,pois há um número expressivo de pessoas que menstruam e deixam de frequentar a escola e/ou trabalho por falta de condições básicas de higiene.Por exemplo,em conformidade com a UNICEF,4 milhões de meninas sofrem privações de higiene na escola.Por consequência disso,pode ocorrer abandono escolar e prejuízo na formação de mão de obra altamente especializada,prejudicando o desenvolvimento econômico.

Em síntese,levando-se em consideração os fatos supracitados,para superar os desafios no combate à pobreza menstrual é preciso que a sociedade faça pressão por meio das redes sociais para que os seus representantes políticos lutem no Congresso pela aprovação da lei que garante a distribuição de absorventes pelo SUS.Isso se dará com o objetivo de garantir a dignidade para a população de menor renda.Além disso,a população também pode ajudar ONG’S,as quais poderiam fazer kits de higiene e distribuir para as pessoas em situação de rua,com o auxílio de voluntários para a entrega.Dessa maneira,seria possível garantir o direito à higiene menstrual previsto pela Comissão Nacional de Direitos Humanos.