Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/10/2021

No documentário “Absorvendo o Tabu”, o estigma em torno da precariedade em relação à menstruação na Índia é abordado de forma verdadeira. Fora das telas, a pobreza menstrual se mostra um impasse, também no corpo social brasileiro. Desse modo, são prementes caminhos para combater os desafios da pobreza menstrual no Brasil, nos quais envolvem, a negligência governamental e a omissão da sociedade, em nome do bem-estar das mulheres brasileiras.

A princípio, é fato que a negligência do governo potencializa a questão debatida. Nesse viés, parafraseando Michel Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa ótica, é perceptível como a falta de auxílio por parte do governo, essencialmente para mulheres que não possuem renda, intensifica essa problemática no Brasil. Isso porque a falta de distribuição de itens de higiene feminina, como calcinhas e absorventes, impossibilita muitos indivíduos femininos de praticar tarefas básicas do cotidiano. Dessa forma, é inegável que o menosprezo governamental compromete a educação de inúmeras meninas que são privadas de ir ao colégio devido a carência desses produtos.

É patente salientar, em segundo plano, a relação entre a inércia da engrenagem social brasileira e a pobreza menstrual. Nesse sentido, segundo o filósofo Aristóteles “Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer”. Entretanto, a falta de conhecimento acerca de temas como menstruação é um retrocesso para a sociedade brasileira. Tal fato ocorre devido a o tabu associado ao tema e a ausência de uma representatividade que clarifique sobre esse período, de forma adequada, às mulheres que não possuem o conhecimento. Assim, é evidente o fato da omissão do corpo social acarretar doenças e infecções em virtude da privação de higiene decorrente da falta de acesso a itens de cuidados menstruais.

Depreende-se, portanto, que a negligência do governo e a supressão da sociedade são obstáculos para o combate à pobreza menstrual no Brasil. Nessa perspectiva, é essencial que o Ministério da Saúde promova a distribuição de produtos de higiene menstrual como absorventes, calcinhas, tampões íntimos e coletores menstruais, por meio de campanhas publicitárias em postos de saúde de locais carentes. Tal ação tem o fito de garantir um país mais favorável à vivência das mulheres. Por conseguinte, será possível alcançar uma engrenagem social evoluída de impasses como os abordados no documentário “Absorvendo o Tabu”.