Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/10/2021

Segundo o filósofo Platão, “o importante não é só viver, mas viver bem”. Tal premissa, ao ser relacionada à atual situação do Brasil, expõe que questões, como a pobreza menstrual,são capazes de impedir o bem-estar de uma grande parcela da população. Nesse sentido, a falta de educação sexual e a negligência governamental colaboram para a permanência dessa problemática. São prementes, pois, estratégias para enfrentar os desafios que o país lida frente à saúde pública.

É imperativo pontuar, em uma análise inicial, que muitos brasileiros não têm acesso ao ensino sexual necessário. Nesse contexto, o documentário “Absorvendo o tabu” exibe o estigma em torno da menstruação na Índia rural, onde 23% das mulheres abandonam a escola ao começarem a menstruar. Sob essa ótica, é perceptível que, apesar de ser um fenômeno natural feminino, diversas mulheres brasileiras tratam o ciclo menstrual como “tabu” por acreditarem que esse acontecimento é impuro e vergonhoso, devido a falta de acesso à educação sexual básica. Dessa forma, é nítido que, ao investir na educação sexual, promove-se a higiene básica e o maior conforto às mulheres.

Ademais, a negligência estatal influencia diretamente sobre o tema. Sob esse prisma, segundo o filósofo Michel Foucault, “na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas”. A partir dessa ideia, nota-se que a pobreza menstrual no Brasil é silenciada principalmente pela predominância de homens nos cargos de poder. Isso porque o machismo estrutural, que prevalece na nação, minimiza o papel da mulher na sociedade e as necessidades exclusivas desse gênero. Posto isso, é evidente que a indiferença estatal e a falta de representatividade feminina em cargos políticos dificulta a democratização do acesso à saúde básica.

Infere-se, portanto, que a educação sexual precária e a indiferença estatal configuram-se como desafios no combate à pobreza menstrual. Logo, é basilar que o Ministério da Saúde promova acesso à informação e à higiene básica, por meio de campanhas públicas que distribuam absorventes e ensinem sobre a educação sexual em comunidades carentes de informação, a fim de promover maior igualdade e dignidade às mulheres de todo o país. Assim, será possível viver num ambiente no qual o bem-estar social prevaleça, como proposto por Platão.