Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 22/10/2021

A Grécia Antiga, berço da civilização ocidental, constituia-se como uma sociedade machista, a qual a mulher era vista como inferior e provida de “fraqueza” pela natureza. Analogamente, no século XXI, ainda encontra-se enraizado tal pensamento arcaico e equivocado, à medida em que direitos feminos básicos, como a higiene do ciclo menstrual, é ignorado ou insuficientemente debatido. Dessa maneira, a escassez de conscientização e políticas públicas que assegurem o minímo de dignidade à mulher afeta diretamente sua a qualidade de vida.

Sob esse viés, a insegurança e a vergonha da menstruação encontram-se alicerçadas pelos tabus da sociedade ignorante. Dessa forma, tais aflições transfiguram uma experiência que seria natural e espontânea em uma vivência traumática. Assim, os impactos da inércia e ineficiência pública são nítidos nos âmbitos educacionais, sociais, e pessoal, com a perca de confiança e autoestima feminina tal qual sua saúde, efeitos retrados no documentário “Absorvendo o Tabu”. Nesse cenário, a saúde física e psicológica da mulher é negligenciada e seu bem-estar drasticamente reduzido.

Nessa perspectiva, mulheres em situações de vulnerabilidade são duplamente afetadas, ao passo que, além de enfrentarem a ignorância social e informativa, ainda não possuem assistência financeira para os produtos básicos de higiêne íntima. Desse modo, de acordo com a antropóloga Mirian Goldenberg, 25% das adolescente faltam às aulas em períodos menstruais por não possuirem absorventes, e dessas, 50% nunca dialogaram sobre o assunto na escola. Destarte, configura-se urgente a  notoriedade pública e debates governamentais sobre o tema.

Depreende-se, o avanço rápido e progressivo da conscientização da sociedade, bem como agilidade nas ações públicas. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação em consonância ao Poder Legislativo, por meio de emendas, instituir a obrigatoriedade de aulas sobre saúde da mulher para ambos os sexos a fim de politizar homens e empoderar mulheres. Cabe ainda, ao Governo Federal, por intermédio das Unidades Básicas de Saúde, a distribuição de absorventes e folhetos informativos sobre o ciclo menstrual para as classes vulneráveis, com  o intuito de assegurar a qualidade de vida da mulher. Isto posto, os infortúnios da sociedade obsoleta da Antiguidade ficará apenas na História.