Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 26/10/2021

Na obra realista,do escritor brasileiro Aluísio Azevedo, ‘‘O Cortiço" tem uma cena na qual a mãe da personagem “Pombinha” agradece à deus e comemora pela vizinhança a chegada da menarca da jovem.Contudo, essa situação não pode ser comemorada por muitas meninas, no cenário hodierno do Brasil, tendo em vista que uma significativa parcela dessas jovens carécem de higiene básica, absorventes e até mesmo informações a respeito de seus períodos menstruais.Tal problemática é reflexo da desigualdade sociel e do tabú entorno do assunto e merece ser resolvido.

Em primeira análise, tem-se que a pobreza menstrual no Brasil é consequência direta de vários problemas de desigualdade sociel e étnica que o país está inserido.Ou seja, como já abordado em teorias organisistas do sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é como um organismo vivo cuja falha em alguma área causará problemas nas demais.À vista disso, fruto do processo de colonização do país, algumas ideológias permanecem até os dias de hoje como reflexo dos anos de mercantilização e teorias raciais em torno da etnia afro que causaram a marginalização desses indivíduos perante a sociedade.Tal situação explica o fato da pobreza menstrual atingir ,principalmente, mulheres negras e de baixa renda, segundo reportagem da Folha de São Paulo.

Em segunda análise, tendo a sociedade tupiniquim herdado preceitos misógenos e machistas do período colonial, o simples fato de serem mulheres e passarem por essa experiência biologicamente natural todos os meses, é visto para muitos como um tabú por não fazer parte do universo masculino.Tal cenário acaba sendo um problema, pois os indivíduos deixam de falar sobre menstruação como algo natural e acabam gerando meninas com vergonha por passarem por isso e sem nenhuma informação para lidar com o período;segundo dados da revista “Galileu” mais de cinquenta por cento das mulheres dizem não entender sobre seus ciclos e não se sentirem bem para sair de casa durante.

Fica claro,portanto, que a pobreeza menstrual no país é um problema de desigualdade social e um tabú arcaico.Dessa maneira, tendo o Estado como instituição responsável por cuidar do bem comum da nação, ele deve promover a criação de uma política pública de distribuição de absorventes, coletores e itens de higiene básica em postos de saúde, para as meninas em situação de pobreza mentrual.Tal feito deve contar com a ajuda material de empresas privadas de produção de tais recursos em troca de uma parcela de desconto do imposto de renda.Ademais, o meio midiático deve promover campanhas de informação a respeito dos ciclos menstruais, em horário nobre para atingir um maior público, de forma a quebrar o tabú  machista sobre o assunto e ajudar a levar o conhecimento para as jovens.