Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 26/10/2021

Segundo a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), o acesso à higiene menstrual é um direito e deve ser tratado como uma questão de saúde pública. Entretanto, no Brasil contemporâneo, a precariedade da higiene menstrual ainda é muito presente na vida de milhares de mulheres, devido, sobretudo, a situações de vulnerabilidade social e à falta de recursos econômicos. Nessa perspectiva, a pobreza menstrual aliada ao tabu que esse assunto é submetido pode impactar diretamente na vida social de muitas meninas, levando-as à evasão escolar durante o período.

Diante disso, as diferenças sociais ainda são muito presentes no território brasileiro, fazendo com que muitas famílias não tenham acesso ao mínimo de saneamento básico. Desse modo, durante o período menstrual muitas meninas nessa situação econômica não conseguem adquirir absorventes, tendo de substituí-los por pedaços de tecido ou jornal, que aliados à desinformação podem levar a danos na saúde íntima feminina. Nesse contexto, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico, já que para seu pleno funcionamento todas as partes devem interagir entre si. Então, para que o organismo seja igualitário e coeso, políticas públicas devem ser realizadas para que a pobreza menstrual seja erradicada.

Ademais, a ausência de absorventes pode levar muitas meninas a se ausentarem da escola durante o período menstrual, impactando no rendimento escolar. Nessa óptica, à luz do educador Paulo Freire, aprender é um ato revolucionário e só por meio da educação o indivíduo passa a ter consciência da própria condição histórica, bem como da sua capacidade de transformar o mundo em sua volta. Dessa forma, o Estado, ao não garantir o acesso à direitos básicos de higiene feminina, também não fornecerá uma educação de qualidade e emancipadora para essas mulheres, impossibilitando a sua evolução intelectual.

Em suma, a fim de mitigar os problemas supracitados, o Estado deve realizar a distribuição gratuita de kits de higiene feminina nas escolas e em unidades de saúde para meninas, principalmente as que estão em vulnerabilidade social. Essa oferta pode ser promovida por meio da inscrição em canais da internet ou nas secretarias municipais de saúde direcionados para essa finalidade, com objetivo de garantir os direitos básicos para todos e minimizar as divergências sociais. De maneira complementar, também é importante que as escolas realizam palestras e debates, por intermédio de profissionais de saúde, que orientem sobre a importância de uma higiene pessoal correta e que discutam sobre a menstruação para que, aos poucos, deixe de ser tratada como um tabu.