Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 27/10/2021
O filme “Carrie, a estranha”, de 2013, retrata os desafios enfrentados por uma jovem no ensino médio, vistos os ataques de bullying sofridos e as desavenças de convivência com sua mãe, que a impedia de viver uma vida comum. Na obra, uma das cenas mais marcantes é a primeira menstruação da protagonista, Carrie, uma vez que a mesma não soube lidar com a situação devido a falta de conhecimento e a ausência de itens de higiene pessoal. Paralelamente a obra, muitas pessoas com útero sofrem com os desafios da pobreza menstrual no Brasil, pois a inércia do Estado e a falta de acesso a produtos básicos para o período de fluxo, corroboram para o agravamento da situação.
Em primeira análise, é preciso salientar que a ONU (Organização das Nações Unidas) considera, desde 2014, o acesso à higiene pessoal um direito básico de qualquer indivíduo que menstrue. Nessa perspectiva, faz-se necessário que o Estado deixe a posição de inércia e busque maneiras de mitigar a pobreza menstrual, haja vista que é um direito humano e precisa ser tratado como uma questão de saúde pública. Logo, investindo na distribuição de absorventes, tampões e coletores menstruais para a população necessitada.
Ademais, segundo uma pesquisa realizada pela CNN, cerca de quatro milhões de mulheres não tem acesso aos produtos básicos para os períodos de fluxo menstrual. Consequentemente, tal ausência implica ao uso de alternativas paliativas para contornar a problemática, como o uso de jornais e papelões para substituir os absorventes convencionais. Dessa forma, apesar de eficazes, tais métodos podem agravar a saúde íntima desses indivíduos, pois promovem infecções vaginais e a proliferação de micro-organismos. Logo, agravando ainda mais o sistema de saúde.
Portanto, infere-se que ainda existem entraves para solucionar o problema em questão. Nessa perspectiva, urge ao Ministério da Saúde, órgão responsável pela saúde brasileira, investir em campanhas de distribuição gratuita de absorventes. Desse modo, tal inciativa deve ser aplicada nos postos de saúde, escolas e universidades públicas para que as mulheres necessitadas façam uso desse item básico de higiene. Além disso, o Ministério da Educação deve propagar campanhas acerca do ciclo reprodutivo da mulher, para que tal acontecimento seja reconhecido como um fenômeno natural e não mais como um tabu. Isso aplicado, espera-se solucionar os desafios relacionados a pobreza menstrual.