Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 28/10/2021
Na obra literária “Herdeiras do Mar” , de Mary Lynn, a personagem Hana, após ter sua menstruação, precisou, durante dias, usar panos, os quais a deixavam desconfortável e não ofereciam segurança alguma. Paralelamente, no Brasil contemporâneo, há desafios no combate à pobreza menstrual. Isso se deve à vulnerabilidade socioeconômica e colabora com a exclusão dos indivíduos que não têm acesso à higiene menstrual.
Antes de tudo, no que se refere à vulnerabilidade socioeconômica, vale destacar que pessoas carentes de recursos financeiros não colocam a compra de absorventes como prioridade em sua rotina, uma vez que sua renda, na grande maioria, é direcionada primeiro à alimentação e moradia e não à demandas pessoais, como a menstruação. Nesse sentido, cabe destacar que, segundo a Agência Brasil, cerca de 50 milhões de brasileiros estão na linha da pobreza e vivem com menos de 400 reais por mês. Tais dados evidenciam que a vulnerabilidade socioeconômica está diretamente ligada aos desafios no combate à pobreza menstrual.
Ademais, quanto à exclusão dos indivíduos, é importante ressaltar que durante o período menstrual, muitas pessoas tendem a evitar contato social, práticas de esportes ou qualquer atividade que implique em muita exposição. Entretanto, esse quadro é agravado para pessoas sem higiene menstrual, pois situações de desconforto, dores ou vazamentos são mais comuns, uma vez que absorventes, remédios e banheiros tornam o período menstrual mais confortável. Dessa forma, é válido salientar que, de acordo com o documentário “Absorvendo o Tabu”, várias mulheres sentem-se envergonhadas de ir à escola e, muitas vezes, são proibidas de irem à igreja no período menstrual. Tal documentário evidencia que a exclusão dos indivíduos está diretamente ligada aos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil.
Portanto, é de suma importância que os indivíduos tenham acesso à higiene menstrual, para que esse período seja o mais confortável possível. Dessa maneira, essa questão deve ser enfrentada de forma eficaz pelos órgãos competentes. Assim, cabe ao Governo Federal, responsável pelo bem estar da população, por meio de incentivos monetários, a disponibilização de absorventes nas escolas e locais públicos, para que a menstruação não interfira de maneira negativa no cotidiano das pessoas. Tais ambientes públicos, como praças, parques ou eventos, contarão com uma ambiente para fornecer os absorventes. Somente assim, haverá o combate à pobreza menstrual no Brasil.