Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/10/2021
Na obra literária “Herdeiras do Mar” , de Mary Lynn, a personagem Hana, após ter sua menstruação, precisou, durante dias, usar panos, os quais a deixavam desconfortável e não ofereciam segurança alguma. Paralelamente, no Brasil contemporâneo, há desafios no combate à pobreza menstrual. Isso se deve à vulnerabilidade socioeconômica e colabora para a exclusão dos indivíduos que não têm acesso à higiene menstrual.
Antes de tudo, no que se refere à vulnerabilidade socioeconômica, vale destacar que pessoas carentes de recursos financeiros não colocam a compra de absorventes como prioridade em sua rotina, uma vez que sua renda, na grande maioria, é direcionada primeiro à alimentação e moradia e não a demandas pessoais, como a menstruação. Nesse sentido, cabe destacar que, segundo a Agência Brasil, cerca de 50 milhões de brasileiros estão na linha da pobreza e vivem com menos de 400 reais por mês. Tais dados evidenciam que a vulnerabilidade socioeconômica está diretamente ligada aos desafios no combate à pobreza menstrual.
Ademais, quanto à exclusão dos indivíduos, é importante ressaltar que, durante o período menstrual, muitas pessoas tendem a evitar contato social, práticas de esportes ou qualquer atividade que implique em muita exposição. Entretanto, esse quadro é agravado para pessoas sem higiene menstrual, pois situações de desconforto, dores ou vazamentos são mais comuns, uma vez que absorventes, remédios e banheiros tornam o período menstrual mais confortável. Dessa forma, é válido salientar que, de acordo com o documentário “Absorvendo o Tabu”, várias mulheres sentem-se envergonhadas de ir à escola e, muitas vezes, são proibidas de irem à igreja no período menstrual. Tal documentário evidencia que a exclusão dos indivíduos está diretamente ligada aos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil.
Portanto, é de suma importância que os indivíduos tenham acesso à higiene menstrual, para que esse período seja o mais confortável possível. Dessa maneira, essa questão deve ser enfrentada de forma eficaz pelos órgãos competentes. Assim, cabe ao Governo Federal, responsável pelo bem-estar da população, por meio de incentivos monetários, a disponibilização de absorventes nas escolas e locais públicos, para que a menstruação não interfira ou prejudique o cotidiano das pessoas. Tais ambientes públicos, como praças, parques ou eventos, contarão com um ambiente para fornecer os absorventes. Somente assim, haverá o combate à pobreza menstrual.