Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 29/10/2021

O documentário indiano “Absorvendo o tabu” exibi mulheres que produzem absorventes de baixo custo como forma de democratizar o acesso a esses produtos. Nesse contexto, torna-se evidente a importância dessa realização em meio a uma sociedade, na qual o tema da menstruação ainda é cercado de preconceitos. Semelhantemente, na sociedade brasileira, persistem tabus relacioanados ao precesso menstrual, os quais se evidenciam no preconceito da coletividade e na desigualdade social, fatos que corroboram para que haja dificuldades nos cuidados da higiene feminina durante os seus ciclos. Desse modo, são necessárias medidas que combatam à pobreza menstrual no país.

Inicialmente, destaca-se que o preconceito contribui para a ocorrência da pobreza menstrual. Nessa perspectiva, remonta-se à Idade Média, na qual a menstruação era vista como algo imundo, uma maldição ou até mesmo um doença que necessitava ser tratada. Embora não tão radical, no Brasil, também há um ideal preconceituoso em relação ao ato de menstruar, pois considera a menstruação um assunto inconveniente, que não deve ser exposto em meio à homens, por exemplo, já que é um acontecimento feminino. Contudo, isso contribui para que mulheres, sobretudo, meninas no início da vida adulta, careçam de informações sobre como realizar uma correta higienização durante seu período menstrual, pois sentem vergonha em expor suas dúvidas e serem julgadas como “ousadas”.

Ademais, convém lembrar que a desigualdade na sociedade brasileira ocasiona a pobreza menstrual. Em concordância com o pensamento do geógrafo Milton Santos, a globalização tem ocasionado ainda mais desigualdades, o que contraria a ideia de que vivemos em uma “aldeia global”, onde todos usufruem dos avanços tecnológicos e do bem-estar igualmente. Da mesma forma, apesar dos grandes progressos na fabricação de utensílios femininos, como o desenvolvimento de absorventes descartáveis, percebe-se que nem todo o público feminino tem acesso a tais produtos. Além disso, frequentemente, mulheres não usufruem de saneamento básico, que é essencial a sua higiene, o que revela que não são todas as brasileira que desfrutam de um período menstrual saudável.

Logo, alternativas devem ser apresentadas para a reolução dos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Para tanto, o Ministério da saúde precisa realizar campanhas, por meio das redes sociais, tais como Facebook e Instagram, que mostrem que o período menstrual não deve ser motivo de vergonha e ensinem as mulheres a terem bons hábitos de higiene, a fim eliminar tabus referentes ao ato de menstruar. Outrossim, o mesmo órgão, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional, deve distribuir absorventes nas unidades de saúde e investir em saneamento básico, de modo a proporcionar a todas as mulheres bem-estar no seu período menstrual.