Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 30/10/2021
No documentário vencedor de um Oscar “Absorvendo o Tabu”, são mostradas as dificuldades enfrentadas por inúmeras mulheres indianas em ter acesso e usar o absorvente menstrual, além de todo o tabu e constrangimento que aquela sociedade impõe sobre tal natureza. Em consonância com essa realidade, está a de muitas brasileiras, que são verdadeiras vítimas de um tabu ultrapassado e da negligência estatal diante esse mal. Sendo assim, metas são necessárias para minar tal carência salutar.
A princípio, cabe destacar que já na Grécia Antiga, as mulheres menstruadas eram tidas como feiticeiras ou amaldiçoadas. Diante disso, fica claro que essa noção rompe com o passado e atravessa o hodierno, no qual esse ciclo da natureza feminina é duramente omitido e combatido nas mais diversas camadas da sociedade, principalmente naquelas marginalizadas, que carregam e revelam de fato as tantas e demais feridas dessa pobreza, isto é, a miséria por não dispor primeiro de recursos para garantir um coletor menstrual, além de ser isenta de uma educação e de uma orientação coerente para fazer uso daquele instrumento. Nesse sentido, torna-se evidente a colocação da pensadora Hannah Arendt, a qual reflete sobre a massificação da sociedade, que a torna incapaz de questionar e julgar as situações que a ferem.
Outrossim, faz-se de fundamental importância o debate acerca da omissão da máquina pública neste caso. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a higiene menstrual é um direito e um dever para as nações. Porém, em contraste com esse princípio, fica evidente a inoperância do país diante esse mal, que mesmo diante de um cenário preocupante e precário, quando é oferecido algum tipo de serviço para garantir a dignidade menstrual, são quase que ineficientes e esporádicos, algo que contribui diretamente para a potencialização e marginalização das vítimas dessa pobreza. Logo, tornam-se urgente metas para combater tal perigo.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para garantir a dignidade menstrual no Brasil. Cabe, então, ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministérios da Educação, por meio da distribuição gratuita de absorventes nas escolas e nos postos de saúde do país, realizar oficinas e palestras que prezem a abordagem sobre tal tema e sobre a natureza feminina, a fim de naturalizar tal ciclo e romper com todo o tabu que ainda ronda essa realidade. Só assim, o Brasil vislumbrará um futuro diferente e distante daquele vivido por aquelas mulheres indianas.