Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 01/11/2021

A antropóloga Mirian Goldenberg define pobreza menstrual como a falta de acesso a itens básicos de higiene, de informação e acesso a um absorvente durante o período da menstruação. Ademais, a assistência às meninas e mulheres durante esse período não é democrática, haja vista que parte do público feminino vivencia essa realidade. Dessa forma, fatores como a desinformação e a desigualdade social inibem a inclusão do grupo afetado.

Primeiramente, convém enfatizar o impacto da dessemelhança social no combate à pobreza menstrual no Brasil. Nesse sentido, de acordo com o Índice de Gini - medida que classifica o grau de desigualdade em um país - o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade obriga o grupo afetado a se isolar socialmente, já que não são pertencentes ao meio. Logo, mulheres e meninas, devido às suas condições sociais, são impedidas de terem acesso a coletores menstruais e remédios, fato que, infelizmente, agrava esse impasse.

Outrossim, uma pesquisa realizada pela empresa Always aponta que uma em cada quatro meninas no Brasil faltam à aula por não possuírem absorventes e dessas, 50% nunca falaram sobre o assunto na escola. Além disso, muitas meninas crescem e passam pela fase do primeiro fluxo sem ter ciência da anatomia da vagina e sem aconselhamento dos progenitores, passando por esse processo de forma solitária. Logo, esse cenário de insegurança, medo, preocupação é ainda acentuado quando não se tem os itens definidos de higiene base, acentuando cada vez mais esse problema social.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar os problemas relacionados à pobreza menstrual no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde (MS) deve investir nas áreas mais afetadas pela desigualdade, para condições iguais de acesso aos itens de higiene. Também, compete ao MS introduzir palestras nas escolas, por meio de um profissional da saúde, com o fito de transformar paradigmas relacionados à menstruação. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, mudar o quadro exposto pelo Índice de Gini, garantindo equidade a todas as brasileiras.