Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 01/11/2021
Como todo o processo evolutivo, a menstruação tem como função o sucesso reprodutivo. Ela ocorre devido à preparação uterina para o recebimento do óvulo fecundado e se baseia no aumento de espessura do endométrio. Esse tecido irrigado em sangue funciona como uma barreira protetiva, que impede a expurgação do gameta; no entanto, quando a fecundação não ocorre, tem-se a descamação dele, com a eliminação do tecido sanguíneo. Apenas no século XX, antes disso, o que se tinha era a demonização desse processo. Nesse cenário, tem-se, por consequência, a pobreza menstrual. Isso se dá, em parte, devido à falta de discussões sobre o assunto e à negligência governamental.
Em primeiro plano, evidencia-se a ignorâcia generalizada no que tange à menstruação no Brasil. Segundo a escritora Simone de Beauvoir, tem uma superstição acerca do período menstrual, a qual determina uma noção de impureza em tudo o que se resolve o processo. A autora discorre na obra ’’ O Segundo Sexo’’ que, desde as sociedades primitivas, o sangue uterino tornou-se tabu, de modo a intensificar a vulnerabilidade, principalmente, de mulheres. Como uma herança histórica, percebe-se a falta de uma abordagem direita sobre o assunto, o que impede discussões sobre as implicações sociais da menstruação. Ai temos o agravamento da pobreza menstrual.
É imperativo pontuar a falta de ações públicas que é a falta de preocupação ao bem-estar das pessoas que menstruam. Em um país com uma alta desigualdade social, é possível observar que os itens básicos de saúde pública são tratados como artigos de luxo. Desse modo, o uso de absorventes e de água encanada não é democratizado. De acordo com o jornalista Dimenstein, o brasileiro, como cidadão tem os direitos garantidos, majoritariamente, apenas na teoria. Assim, embora o acesso à saúde seja obrigação constitucional, os indivíduos utilizando jornais e até miolos de pão para conter o sangue menstrual são uma realidade. Desse modo, essas pessoas tendem a contrair infecções. Diante do exposto, urge que o Governo Federal, por intermédio de um amplo debate com as Prefeituras, crie um plano de ação focado na distribuição democrática de absorventes e de itens de higiene íntima. Esse projeto deverá visar ao abastecimento das escolas e dos postos de saúde, além da ampla divulgação, nas salas de aula e nas mídias sociais, sobre a importância do cuidado com os órgãos reprodutores; ademais, haveria uma campanha de distribuição de água potável e de saneamento básico, por meio de cobranças às empresas responsáveis. Tal ação tem a finalidade de minimizar o tabu e de universalizar o acesso à saúde de qualidade. Assim, combater-se-á a pobreza menstrual no Brasil.