Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 01/11/2021
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 11% da população mundial vive em situação de extrema pobreza. A partir desse dado, é possível perceber que essa problemática contribui para a pobreza menstrual, que atinge não somente meninas e mulheres cis até homens trans e pessoas não-binárias. Essa questão afeta todo o Brasil, tendo como causas o acesso a saneamento básico e saúde pública e o tabu relacionado a menstruação, sendo importante solucionar esses empecilhos em todo o território nacional.
Em primeira análise, nota-se que o saneamento básico no Brasil é falho e gera a perpetuação do impasse. Isso se comprova pelo relatório feito pelo movimento ‘‘Girl Up!’’, o qual apurou que, no Brasil, 17% das meninas de até 19 anos não têm acesso à rede de distribuição de água. Devido a isso, muitas pessoas que menstruam não possuem condições básicas de cuidar do próprio corpo no período menstrual, o que pode gerar infecções graves e a proliferação de outras doenças.
Em segundo plano, é necessário avaliar que há um tabu no que tange à menstruação no Brasil, assim como acontece em outras partes do mundo. De acordo com o documentário “Absorvendo o Tabu”, meninas na área rural da Índia têm vergonha de falar sobre seu período menstrual, muitas enxergam o absorvente como um produto fora de suas realidades, além de vários homens considerarem tal fato como uma doença e impureza. Essa situação também se aplica ao panorama brasileiro, o qual muitas jovens precisam esconder que estão menstruadas ou sequer têm acesso financeiro a medidas utilizadas nesse período, como absorventes ou coletores menstruais. Essa questão cultural, também está aliada à falta de educação sexual e à pobreza, que impossibilita que os indivíduos que menstruam possam viver com qualidade de vida diante de um fator biológico de seus corpos.
Em virtude dos fatos mencionados, infere-se, portanto, a necessidade de novas medidas. Cabe ao Governo Federal, em parceria com Ministério da Educação, promover um projeto a fim de combater a pobreza menstrual no país. Isso deverá acontecer por meio de investimentos financeiros em saneamento básico por todo o Brasil, além de aulas de educação sexual nas escolas entre alunos e responsáveis, uma vez que isso irá garantir a distribuição de água potável e combater o preconceito acerca da menstruação. Diante disto, será possível ofertar melhor qualidade de vida a pessoas que menstruam, com o objetivo de que o Brasil não faça parte do grupo de países em situação de extrema pobreza afirmado pela ONU.