Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 02/11/2021
Pobreza menstrual, podendo ser chamado também de precariedade menstrual, é o termo que usamos quando nos referimos à falta de acesso a itens de higiene no período da menstruação. Está relacionado não só à pobreza, mas também à falta de acesso a infraestrutura e serviços de saneamento básico, bem como informações e conhecimentos precários sobre o tema.
De acordo com o CNNBRASIL, mais de 4 milhões de pessoas com útero não tem acesso a itens mínimos de cuidados menstruais na escola. 713 mil vivem sem banheiro e/ou chuveiro em casa. 4 milhões sofrem com pelo menos uma privação de higiene na escola. 900 mil não tem acesso à água canalizada. 6,5 mil vivem em casas sem ligação à rede de esgoto. Segundo Zenaide Maria, o valor gasto por ciclo menstrual é de R$30,00, e quase 13% da população vive com menos de R$246,00 por mês. Menstruar se tornou algo caro e complicado, mesmo sendo completamente normal.
Com a falta da distribuição gratuita de absorventes para pessoas que menstruam, estas apelam para o uso de jornais, panos ou folhas de árvores, a fim de conter o sangramento. Em 2020, houve um ato que recomendava ao presidente da República e ao Congresso Nacional a criação de uma política nacional de superação da pobreza menstrual, com a intenção de assegurar às mulheres, homens trans e as demais pessoas com útero o acesso a itens de higiene menstrual, porém, isso não aconteceu.
Logo, se o Sistema Único de Saúde (SUS) distribui preservativos para ajudar no combate à Infecções Sexualmente Transmissíveis, porque não pode distribuir absorventes e itens de higiene menstrual? Essa é uma das medidas que podem ser usadas contra a pobreza menstrual, bem como falar abertamente sobre, na intenção de transmitir mais informações deste assunto; promover e apoiar iniciativas de arrecadação de produtos de higiene; exigir políticas públicas para dignidade menstrual, entre outras.