Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Segundo o filósofo Platão , mais importante que viver é viver bem . Entretanto, ao analisar à questão dos desafios no combate à pobreza menstrual , é evidente que essa constatação de Platão não se concretiza no Brasil . Diante desse cenário, dois aspectos merecem atenção : a omissão estatal e as desigualdades sociais .

Nessa perspectiva , destaca -se a displicência governamental frente à questão do combate à pobreza menstrual . A saber , a Constituição Federal de 1988 destaca que o direito à saúde deve ser assegurado a todos os cidadãos . Todavia , ao perceber a presença da precariedade menstrual entre as mulheres , nota -se que essa premissa constitucional não é valorizada pelo Estado, pois a inserção de políticas públicas que garantam o acesso à recursos básicos de higiene menstrual é ausente, o que além de contrariar o direito previsto,vai de encontro a obra ``Contrato Social ´´, do filósofo Jonh Locke, a qual ele disserta que é necessário haver um contrato entre sociedade e Estado ,em que a sociedade confiaria no Governo que ,em contrapartida , iria garantir os seus direitos,o que não ocorre , de fato, na prática .

Por outro lado, pode -se pontuar que as desigualdades no acesso à absorventes de qualidade contribuem com o problema. A esse respeito, a obra ´´ Cidadania de Papel ´´, do escritor Gilberto Dimenstein, destaca que a má distribuição de renda é um dos  principais causadores das desigualdades sociais . Nessa lógica, ao observar a constante presença da concentração de capitais , percebe-se que essa concepção de Dimenstein se encaixa no Brasil ,uma vez que o investimento em mecanismo de distribuição de renda é ausente , o que contribui , cada vez mais , com a marginalização das mulheres de baixa renda que não tem condições de realizar higiene menstrual adequada . Prova disso, é o documentário `` Absorvendo o Tabu ´´,exibido pelo catálogo da ´´Netflix´´, em que aborda cenas do cotidiano de mulheres indianas que lutam contra os estigmas da menstruação e mostram a dificuldade em ter acesso a higiene eficaz . Portanto , faz - se necessárias  medidas para evitar o principal problema proposto por Dimenstein : a concentração de renda .

Em suma ,cabe ao Governo Federal , agir em favor da população sem acesso à higene menstrual , por meio da criação de campanhas solidárias , as quais iriam distribuir absorventes gratuitos às mulheres , para que a pobreza mentrual seja reduzida e,assim, coibir a omissão estatal . Ademais , o Ministério da Economia deve combater a concentração de renda ,por intérmedio da inserção de programas que revertam capitais às pessoas de baixa renda a fim de que elas possuam condições de obter higiene adequada. A partir dessas ações, a sociedade irá viver bem segundo o filósofo Platão .