Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 03/11/2021
O ato do presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, o qual vetou a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e mulheres em condição de rua gerou polêmica, dado que a probreza menstrual é uma problemática acentuada no país. Nesse contexto, a falta de diálogo sobre a menstruação, a qual é vista como um tabu na sociedade, é a principal motivação para as baixas iniciativas em relação à distribuição de produtos de higiene menstrual, o que invalida o Artigo 196 da Constituição Federal, o qual pontua que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Assim, é válido analisar os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil.
Em primeiro plano, é crucial analisar as motivações para esse tabu imposto na sociedade, que não lida com naturalidade em relação ao ciclo menstrual feminino. Sobre isso, o renomado documentário “Absorvendo o Tabu” discute sobre as implicações desse preconceito, o qual retrata a visão machista que impede as mulheres na Índia a seguirem a vida com normalidade quando estão menstruadas. Além disso, o curta-metragem também mostra que, segundo dados, mais de 3 milhões de mulheres que não prosseguem seus estudos durante o ciclo menstrual. Assim, são perceptíveis as consequências provenientes da aversão ao ciclo natural feminino, o qual é prejulgado como algo anti-higiênico.
Por conseguinte, graves são as resultâncias provenientes da miséria menstrual presente no país. Nesse contexto, dados do site “politize.com.br” mostram que 1 a cada 4 adolescentes, no Brasil, não possui absorventes durante o período menstrual, o que gera prejuízos como a evasão escolar dessas jovens durante a menstruação e a maior vulnerabilidade à infecções graves, visto que utilizam qualquer material para realização da higiene menstrual. Outrossim, problemáticas financeiras também são observadas nesse cenário de pobreza menstrual, dado que, segundo o relatório “Livre para Menstruar”, uma pessoa que menstrua gasta, em média, entre 3 e 8 mil reais só com a compra de absorventes. Dessa maneira, medidas são necessárias para mudar esse panorama dificultoso.
Portanto, é imprescindível a tomada de atitudes para combater a pobreza menstrual no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com as redes digitais, a criação de campanhas que possibilitem a pesquisa e distribuição gratuita de produtos para higiene menstrual. A pesquisa deve ser feita a partir da contratação de profissionais com o intuito de localizar comunidades mais carentes, que não possuem condições de adquirir esses produtos. Redes sociais e canais televisivos devem divulgar essa campanha, garantindo a democratização no acesso aos materiais necessários para o bem-estar feminino. Só assim o Artigo 196 da Constituição Federal será, de fato, observado na prática.