Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 03/11/2021

Em outubro de 2021, o presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, vetou a criação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, esse que possui como ponto principal a distribuição de absorventes de maneira gratuita. Em paralelo a isso, mesmo em 2021, absorventes não são tidos por lei como produtos de higiene básica no Brasil. Segundo a ONU, o acesso aos absorventes é tido como direito básico de qualquer ser humano, podendo gerar graves consequências para aqueles que não o possuem.

Primariamente, vale ressaltar o descaso de alguns órgãos públicos que não lutam para que as mulheres e homens trans possam ter acesso a esse produto básico. Uma a cada quatro adolescentes não possui um absorvente durante seu período menstrual, além disso, uma a cada quatro meninas não vão à escola por falta de absorvente e, além de tudo, 50% dessas nunca ouviram falar sobre o tema durante as aulas. Esses fatos citados corroboram para o aumento dos problemas devido à pobreza menstrual, sendo eles: a diminuição da auto-estima, o aumento dos problemas de saúde por falta de higiene básica, dentre muitas outras coisas. Ademais, muitos dos problemas que aparecem por conta disso acabam sendo exponencialmente aumentados devido a outros fatores, evidenciando que o problema muitas vezes permeia no lugar onde a mulher está inserida.

Ademais, outro problema comumente encontrado pelas mulheres é a dificuldade no acesso a esse produto por conta do preço. Estima-se que uma pessoa que menstrua gasta cerca de R$ 3.000,00 a R$ 8.000,00 em sua vida com absorventes. Outrossim, a falta de acesso aos absorventes traz junto um outro problema: a utilização de outros itens para suprir a ausência desse. Por conta do uso indevido de itens para conter a menstruação, muitas mulheres acabam desenvolvendo problemas de saúde devido às lesões que a utilização desses itens causa.

Portanto, com tudo citado, faz-se necessário, além do investimento na criação de programas de distribuição gratuita de absorventes, a proliferação da informação acerca desses itens básicos, afinal, nem todos os problemas estão aliados unicamente ao fato da má distribuição, sendo necessário, também, a criação de programas de ensino acerca desse tema, além de uma liberdade maior para falar sobre.