Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica barrosiana, é preciso, portanto, valorizar também o estigma relacionado à pobreza menstrual, já que grande parcela social não enxerga tal entrave com devida relevância. À vista disso, vale ressaltar que a negligência governamental e a carência informacional contribuem para a perpetuação desse quadro negativo.
Diante desse cenário, é lícito postular a passividade do governo no combate ao revés supracitado. Para entender essa lógica, alude-se ao pensamento do contratualista John Locke, o qual, em seu contrato social, afirmou que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos. Ao observar, no entanto, um levantamento fornecido pela marca de absorventes íntimos, Sempre Livre, em média 25% das adolescentes não possuem acesso aos produtos de higiene básica no período menstrual, nota-se um rompimento no pacto estabelecido pelo filósofo. Dessa forma, o ciclo da menstruação feminina segue sendo um tabu sem relevância em termos de saúde publica.
Ademais, a falta de informação tem relação direta com a precariedade menstrual. Nesse sentido, de acordo com o político alemão Adenauer, todos vivem sob o mesmo céu, mas nem todos sob o mesmo horizonte. Nessa conjuntura, o pensamento exposto se evidencia ao analisar as lacunas presentes no sistema educacional brasileiro, uma vez que é um tema pouco debatido em sala de aula ou é visto de maneira superficial. Por consequência, muitas meninas que também não tem orientação dentro de casa irão permanecer alheias acerca do assunto.
Portanto, a instabilidade no que se diz respeito à descamação do endométrio é conservada como um problema real da sociedade contemporânea. Por conseguinte, o Estado em sua totalidade deve, por meio de programas sociais em conjunto com o Ministério da Saúde, efetuar a distribuição de produtos de higiene básica em posto de saúde e ministrar palestras educativas a respeito da menstruação e suas etapas. Espera-se, com isso, que tal entrave seja sanado de maneira definitiva e o número de jovens a mercê da desinformação seja reduzido exponencialmente.