Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/11/2021
Historicamente, a menstruação é considerada uma vergonha àqueles que possuem útero, visto que tal fato é associado negativamente à higiene daquele que a possui. Tais julgamentos permeiam na sociedade contemporânea há séculos e, deste modo, a pobreza menstrual no país se relaciona diretamente com os estigmas que rodeiam a feminilidade em uma sociedade patriarcal, ou seja, a inviabilidade de lidar com necessidades biológicas por parte de uma gama considerável da população reflete os preconceitos de uma sociedade machista e elitista.
No que tange a pobreza menstrual no Brasil, um aspecto significativo deve ser considerado. Parmênides definiu como “Identidade Filosófica” a necessidade de atribuição de características a dado problema a fim de que sua resolução seja efetiva, visto isso, é importante reconhecer os empecilhos que permeiam a pobreza menstrual no país, os quais podem ser relacionados com o apagamento histórico de determinadas camadas sociais. Sendo assim, a incapacidade que parte da população enfrenta para realizar sua higiene pessoal, bem como para abordar tal situação se associa com as construções sociais que atingem sua realidade.
Entretanto, outro aspecto importante deve ser considerado. Em “A Ingênua Libertina” a autora francesa Colette discute sobre os empecilhos que uma mulher enfrenta a fim de obter sua independência, com foco na questão sexual feminina no século XX. Analogamente, tal questão apresentada pela autora transcende décadas, visto que nos dias atuais as necessidades femininas são ignoradas pelas maiorias sociais. Deste modo, a pobreza menstrual no país se inclui na luta feminina por independência, visto que tal fato ainda se prende às amarras de uma comunidade de costumes patriarcais.
Portanto, a pobreza menstrual no Brasil é um reflexo do apagamento social que mulheres pobres enfrentam em um local em que sua voz é pouco ouvida. Para que o páis se torne um local com menores desigualdades no futuro, é essencial que o Estado realize uma distribuição gratuita de absorventes para mulheres em situação de miséria, bem como o acesso à saneamento básico a fim de que tais indivíduos realizem a higienização apropriada, por meio da instalação de banheiros em pontos estratégicos, em especial nos grandes centros. Além disso, uma conscientização a respeito do ato de menstruar nas escolas, por meio de palestras realizadas por profissionais da saúde bem instruídos é imprescindível para que estigmas perpetuados pelo patriarcado sejam erradicados.