Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 04/11/2021

Os direitos sociais previstos no artigo 6 da Constituição Federal de 1988 visam a melhoria das condições de vida dos menos favorecidos, concretizando assim, a igualdade social. Entretando, esses direitos não têm sido assegurados, tendo em vista a pobreza menstrual em evidência no Brasil. Essa problemática decorre e persiste devido a dois principais fatores: o tabu e o legado histórico.

Nesse contexto, é primordial destacar que há estigmas associados a puberdade e a mudança, principalmente, em corpos femininos. Sob essa perspectiva, esse tabu surge a partir da padronização de comportamentos, pautada em premissas de como a mulher deve agir e se sentir perante as questões femininas. Por conseguinte, essa influência que as instituições sociais têm sobre os indivíduos - definida como um exercício de poder para M. Focault - contribui para a manutenção dessa conjuntura. Dessarte, fica evidente a importância do debate e naturalização desse processo fisiológico.

Outrossim, a subversão de valores historicamente enraizados, apresenta-se como outro desafio. Conforme a obra do historiador Gilberto Freyre “Casa Grande e Senzala”, a sociedade brasileira foi construída sob um viés patriarcal. Nesse sentido, mesmo nos dias atuais, a mulher está em condição de inferioridade e suas questões não são priorizadas, uma vez que a máquina administrativa está majoritariamente centrada nas mãos de homens. Logo, tudo isso corrobora a falta de produtos de higiene menstrual, já que muitas mulheres dependem de iniciativas públicas.

Diante do exposto, é imprescindível a minimização dessa problemática. Para mitigar a pobreza menstrual, urge a mobilização das Prefeituras Municipais, que, por meio de parcerias com as escolas, devem promover palestras, com o fito de dar abertura para as meninas discursarem sobre o assunto. Além disso, devem implantar políticas de distribuição de absorventes nessas instituições e postinhos de saúde. Como efeito, as desigualdades questionadas pelos direitos sociais serão atenuadas.