Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 05/11/2021

Em sua obra “O Cidadão de Papel” o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein disserta que, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, ela se atem, de forma geral, apenas ao plano teórico. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista que, apesar de ser um direito constitucionalmente garantido, a higiene menstrual de mulheres e meninas não se encontra efetivada. Esse cenário nefasto ocorre não só devido a falta de acesso a itens básicos de higiene, mas também em razão da silencialização sobre o tema.

Em primeiro plano, é válido evidenciar que a falta de acesso a itens básicos auxilia a continuidade da situação. Nessa perspectiva, o levantamento de pobreza menstrual realizado pela Unicef ​​conclui que, 4 milhões de meninas não tem acesso a itens básicos de higiene menstrual. Assim, torna-se perceptível como são precárias como condições de higiene menstrual vigentes no Brasil e como a falta de investimentos contribue com o agravamento desse problema.

Além disso, é preciso destacar que a silencialização também contribui com agravamento do problema. Nesse sentido, o filósofo Foucault afirma que, nas sociedades pós modernas muitos temas são silenciados para que estreturas de poder sejam mantidas. Sendo assim, pode-se perceber que falta de conhecimento e a disseminação de informações sobre o tema influência na erradicação deste desafio.

Portanto, pode-se perceber que a silencialização e a falta de investimentos nessa área colaboram com a permanência dessa questão. Nesse caso, torna-se necessário que o Governo promova palestras sobre a importância do tema e distribua itens de higiene menstrual em postos de saúde. Com essas medidas tomadas, a lacuna existente sobre essa questão será encerrada.