Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/11/2021
O documentário “Absorvendo o tabu” aponta que apenas cerca de 10% das mulheres da Índia têm acesso a absorventes higiênicos e mostra o árduo cotidiano que as indianas enfrentam na luta contra a menstruação. Apesar de o curta-metragem ter retratado a realidade desse país, essa problemática atinge todo o mundo e, principalmente, o Brasil: o que era pra ser algo natural, se torna um pesadelo para muitas. Sob essa ótica, a negligência estatal e o tabu enraizado estão intrinsicamente atrelados a este desafio na saúde das brasileiras.
Em primeiro plano, o Estado deveria ser o responsável pelo fornecimento gratuito de absorventes. Neste cenário, o artigo 6° da Constituição Federal assegura a todos os cidadãos o pleno direito à saúde e, além disso, em 2014, a ONU reconheceu que a menstruação é uma questão de saúde pública. Indubitavelmente, o acesso a estes produtos higiênicos tornou-se algo distante da realidade de milhões de mulheres no Brasil, pois, em média, geraria um gasto de 150 reais por ano, não condizendo com os ganhos salariais da maioria. Logo, na tentativa de minimizar os custos, muitas brasileiras que vivem na pobreza utilizam folhas de jornais, panos sujos e papel higiênico no lugar de absorventes, ficando à mercê de graves infecções e constrangimento.
Além disso, o ciclo menstrual se torna alvo de preconceito constantemente. Nesse sentido, apesar de ser um fluxo biológico e natural, ainda é visto como nojento ou impuro, devido a manutenção de um tabu que perdura há seculos no Brasil. Desse modo, a necessidade de abordar este tema nas escolas e em mídias sociais se torna cada vez mais importante, para que seja tratado como uma coisa normal e pare de ser frequente a vergonha de segurar um absorvente em público ou evitar tocar no assunto, por exemplo. Nesse sentido, o preconceito corrobora para que a menstruação não seja discutida abertamente e contribui para que não seja algo amplamente difundido na sociedade.
Portanto, o conjunto desses fatores evidencia o grave problema da vulnerabilidade menstrual no país e a necessidade de uma solução efetiva a curto prazo. Neste viés, é mister que o governo de esfera federal – por meio do Ministério da Saúde – torne obrigatória a oferta gratuita de absorventes higiênicos em escolas públicas, presídios e postos de saúde, e os inclua como item na cesta básica, com o intuito de tornar a higiene cada vez mais acessível para toda a população feminina. Ademais, é de extrema importância que a a menstruação seja discutida frequentemente nas salas de aula e na mídia, para que finalmente deixe de ser um tabu, pois não é uma escolha pessoal menstruar ou não, é uma realidade enfrentada por todas.