Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/11/2021
A pobreza menstural é um problema social caracterizado pela não condição financeira para adquirir produtos de higiene pessoal e/ou não possuir acesso a ambientes que favoreçam a higiene íntima, como banheiros com água canalizada. Este problema afetas as classes sociais mais baixas, grupo da população que mais sofre com a inadiplência Estatal na garantia dos direitos assegurados pela constituição federal. Dessa forma, torna-se crucial analisar quais problemas, além da negligência governamental, agravam a situação vivida por milhares de brasileiras.
A princípio, é necessário notar que a indiligência estatal potencializa a pobreza menstrual. Esse contexto de inoperância das esferas do poder público exemplificam a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, em que o filósofo descreve como as instituições se mantém presentes na sociedade, entretanto, sem exercer suas funções sociais com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades cerca de 4 milhões de indivíduos que menstruam, segundo dados divulgados pela Unicef, sofrem com a falta da ação estatal, sendo que, cerca de 900 mil pessoas desse grupo sofrem com a falta de acesso a água canalizada e redes de esgoto. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que a teoria do sociólogo polonês se mostra real ao observar o situação do Brasil.
Ademais, vale ressaltar que a indiferença da sociedade como um todo perante a pobreza menstrual é um fator que contribui com o agravamento do problema. Assim como retratado na teoria blasé, do sociólogo alemão Georg Simmel, quanto mais frequente é um problema social, menos atenção lhe é dado, ocasionando uma piora da situação para os cidadãos prejudicados. Logo, é inadmissível que a sociedade brasileira continue tendo uma atitude blasé, perdurando um cenário que atenta contra os direitos garantidos pelo artigo 6° da constituição federal, que assegura o direita a saúde a todos os cidadãos do território nacional.
Portanto, faz-se necessário que o ministério da saúde - órgão responsável por formular políticas para proteger e recuperar a saúde dos cidadãos brasileiros- aumente os investimentos do governo federal em obras de saneamento básico, por meio da redistribuição de recursos estatais, a fim de prover a população condições dignas para se viver e conseguir manter a higiene pessoal. Além disso, é necessário que sejam distribuídos absorventes em postos de saúde, sendo esses fornecidos pelo governo ou doados pela população, possibilitando o acesso desses itens a pessoas que não possuem condições financeiras de arcar com esses gastos.