Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 24/07/2022

O documentário “Absorvendo o Tabu” expõe as dificuldades vividas por jovens indianas em regiões em que a menstruação é estigmatizada, o que dificulta o acesso a produtos de higiene e cria obstáculos para uma boa qualidade de vida. Assim como na Índia, o tabu em torno da menstruação e a falta de políticas públicas no Brasil intensificam a pobreza menstrual sendo necessária a sua superação.

No início do século XX, com o surgimento do neocolinialisno, a ciência passa a ser manipulada para sustentar o argumento de superioridade do homem branco. Nesse cenário de busca pelo controle, características biólogicas como a menstruação passam a ser usadas como ferramentas de coerção. A crença de superioridade foi extremantente nociva, uma vez que criou um imaginário coletivo ainda vigente no mundo atual, que associa a biologia feminina a algo depreciativo. Como consequência, mulheres se distanciam do conhecimento sobre seus corpos e do cuidado com a sua saúde.

Ademais, a estigmatização molda um governo inerte em relação as necessidades femininas, intensificando a pobreza menstrual. Assim, apesar da Organização das Nações Unidas defender que a higiene menstrual deve ser tratada como uma questão de saúde pública, esse direito é constantemente violado. A falta de um governo ativo é inaceitavél, pois em um país marcado pela desigualdade como o Brasil, milhares de famílias vivem em situação de extrema pobreza. Nesse cenário, itens como absorventes não são vistos como prioridade, obrigando mulheres a buscarem meios alternativos que colocam sua saúde em risco.

Desse modo, para combater a pobreza menstrual no Brasil é necessária a ação de toda a sociedade civil. Grupos de voltuntariado, formados por estudantes de medicina e sociologia devem ir às escolas públicas, organizando atividades e debates voltados para a educação sexual dos estudantes. Assim, a partir de uma sociedade mais informada será possível reinvindicar uma postura mais ativa do governo, através do aumento da distribuição de absorventes gratuitos em postos de saúde. Só assim, a realidade das mulheres brasileiras se distanciará daquela vivida na Indiana.