Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/11/2021
Segundo o artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Nesse sentido, a falta de acesso a itens básicos de higiene feminina ainda é um estigma, e nem todas possuem renda o suficiente para adquirir pelo menos um absorvente, deixando bem claro que a desigualdade nos direitos humanos ainda é evidente. Portanto, é indispensável analisar as causas que agravam esse quadro: a desinformação e a falta de amparo governamental.
Nesse viés, é necessário pontuar que a falta de informação acerca do impactos da pobreza menstrual precisa ser superada. A esse respeito, uma em cada quatro brasileiras não tem acesso a um pacote de absorventes quando menstrua, segundo o relatório Livre Para Menstruar. Paralelamente, devido à escassez de informações nas redes midiáticas sobre esses impactos, algumas mulheres utilizam panos cortados, folhas de jornais e até sacos plásticos, o que não é recomendado devido ao risco de infecção, e muitos brasileiros consideram isso como algo “normal” no íntimo de todas que sofrem. Assim, enquanto a desinformação se mantiver, o Brasil permanecerá cego diante dos problemas de carência menstrual.
Outrossim, convém ressaltar que a saúde, a assistência aos desamparados e as medidas para zelar pelo bem-estar físico é um direito assegurado a todos os cidadãos brasileiros. Nesse panorama, Gilberto Dimenstein, em seu livro “O Cidadão de Papel”, disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, visto que não são garantidos na prática. Dessa forma, depreende-se que o tratamento às vítimas da pobreza menstrual são precários e ignorados, ferindo os direitos de uma parcela da população que necessita usufrir adequadamente. Logo, fica nítido que a negligência do Estado dificulta a atenuação de um desenvolvimento prejudicado.
Destarte, medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Isto posto, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com o auxílio governamental, tomar providênciais promovendo informações seguras a respeito da importância da higiene básica menstrual em palestras para alunas do ensino médio, por meio de aulas interdisciplinares, além de realizar campanhas informativas na mídia, visando os impactos atuais e a longo prazo na vida de meninas e mulheres. Espera-se, com essa medida, que o descrédito do perigo e o desafio no combate à pobreza menstrual no Brasil seja paulatinamente erradicada.