Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 10/11/2021
A colonização brusca e irresponsável do Brasil no ano de 1530 trouxe consequências devastadoras que marcam os dias atuais. Dentre elas, a desigualdade racial que, ligada à deficiência de saúde pública plena, origina um dos maiores desafios atualmente: o combate à pobreza menstrual em regiões periféricas do Brasil. Isto porque, as mulheres dessa região, em sua maioria negras -herança de uma abolição escravocrata desestruturada-, sofrem ainda mais com a falta de recursos e de conhecimento acerca do cuidado íntimo necessário durante o ciclo menstrual. Isto posto, a resolução dessa problemática se faz necessário não só para a melhora da saúde pública, como também para extinguir a desigualdade racial no Brasil.
Apesar da grande variedade cultural inserida no Brasil e, consequentemente, sua grande miscigenação, o país sofre com a enorme fenda que separa a população negra e branca, não apenas socialmente como também estruturalmente. Isso se comprova, por exemplo, ao analisar que há maior concentração de brasileiros negros residindo em favelas, como afirma um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Portanto, prova-se a maior adversidade que mulheres negras possuem ao querer fazer uso de itens básicos de higiene para o período menstrual e sustenta a imprudência do Estado de garantir o bem-estar físico, mental e social da população.
Além disso, com a atual pandemia do COVID-19, houve um agravamento da situação de inúmeros eixos sociais. Segundo a CNN Brasil, a quarentena, medida preventiva adotada para o decrescimento de casos de coronavírus, aumentou significativamente a taxa de desemprego e piso salarial, sobretudo da população negra, causando ainda mais contraste na desigualdade presente no Brasil. Tendo isso em vista, a atual situação de crise sanitária no país evidencia mais uma entre as diversas dificuldades no combate à pobreza menstrual.
O Governo deve, portanto, implementar o estudo de educação sexual nas escolas públicas e privadas, por meio da criação de uma matéria única aprovada pelo MEC -Ministério da Educação-, com o intuito de disseminar o conhecimento acerca do autocuidado durante o ciclo menstrual. Por conseguinte, o restante da família também será alcançado, dando origem a uma cultura menos misógina. Com essas medidas, o Governo cumprirá com seu papel, que é zelar pelo progresso do Brasil mediante a adoção de ações positivas e coordenadas que motivem seus cidadãos a cooperarem, visando o bem-estar geral.