Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/11/2021
Segundo a DUDH, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU, a Organização das Nações Unidas, todo ser humano tem direito à saúde física e mental. Contudo, mesmo que o documento esteja dotado de razão, a pobreza menstrual continua como um problema que persiste no Brasil. Este cenário alarmante é resultado não só da sociedade historicamente patriarcal brasileira, como também devido ao individualismo cada vez mais acentuado na comunidade nacional.
Nessa perspectiva, é imperativo destacar as dificuldades históricas enraizadas na sociedade brasileira quando o assunto é pautado nos direitos femininos. De acordo com Boris Fausto, notório historiador paulista, a comunidade do Brasil é marcada, desde os períodos coloniais, pela exclusão das mulheres nos diferentes ramos sociais. Como exemplo, vale ressaltar o direito limitado de voto presente até 1932, o qual proibia a participação feminina nos processos eleitorais brasileiros. Nesse viés, depreende-se como a problemática debatida descende de valores preconceituosos marcados na história nacional, uma vez que, em consonância com as pesquisas de Boris Fausto, as cidadãs brasileiras são afetadas pelas limitações de sua cidadania desde o período do Brasil Colônia.
Outrossim, é oportuno comentar como o estilo de vida atual das pessoas, baseado no egoísmo e no consumo, é um fator ímpar para a ocorrência de negligências no atual cenário brasileiro ligado às questões da higiene menstrual. Exemplificando, cabe citar a teoria sociológica da Modernidade Líquida, proposta por Zigmunt Bauman, prestigiado pensador europeu, que relaciona o individualismo nas atuais relações sociais como um dos pilares para a formação dos problemas. Conforme o sociólogo polonês, a valorização exacerbada dos aspectos financeiros provoca a superficialidade nos relacionamentos contemporâneos, o que fragiliza processos de solidariedade na sociedade, tais como os auxílios governamentais relacionados à menstruação. Dessa feita, mostra-se o complexo cenário brasileiro de pobreza menstrual.
Portanto, em vista dos fatos supracitados, é necessária a atuação do Estado para amenizar esta problemática. Logo, urge que o governo, por meio da elaboração de legislações inclusivas que favoreçam o grupo feminino, amplie os direitos da mulheres, especialmente aqueles ligados à saúde, com o intuito de que estas pessoas deixem de sofrer os abusos de uma sociedade patriarcal e, por conseguinte, tenham acesso à recursos básicos de subsistência, como um auxílio financeiro que contribua na higiene menstrual. Paralelamente, faz-se imprescindível que o Ministério da Saúde, por intermédio de uma associação com ONGs, distribua kits menstruais para pessoas que não possuam condições econômicas básicas, a fim de que documentos, como a DUDH, sejam respeitados.