Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 16/11/2021
A filósofa alemã Hannah Arendt, em sua obra “Banalidade do mal”, reflete sobre as consequências da alienação social na qual colabora para a formação de indivíduos acríticos capazes de encarrar ações moralmente erradas como um simples aspecto da sociedade. Nesse sentido, tal reflexão se adequa a postura nacional acerca da trivialização da pobreza menstrual. Desse modo, convém analisar o impacto gerado pela precarização da higiene íntima feminina e qual é o desafio no combate a essa problemática.
De início, segundo os conceitos da Biologia, a menstruação acontece periodicamente, perdurando entre três à oito dias, e é resultado do final do ciclo reprodutivo feminino. Dessa forma, é entendido como necessário itens básicos, como absorventes, para a garantia da higiene durante este período. No entanto, devido as situações de desigualdades vivenciadas no país, parte da população de mulheres não são contempladas com esses utensílios e muito menos dispõe de condições financeiras para adquiri-los, o que desencadeia o uso de métodos alternativos e pouco seguros, que acarretam O desenvolvimento de doenças vaginais. Diante do exposto, segundo o jornal A Folha de São Paulo, 175 mulheres são internadas mensalmente devido a patologias ligadas a pobreza menstrual.
Outrossim, destaca-se o impasse para combater esta carência negligente. Neste contexto, no documentário “Absorvendo o tabu” é retratado a situação das indianas, que devido as opressões machistas da sociedade, são obrigadas a se isolar durante o período menstrual. De modo parcialmente semelhante, a falta de engajamento de mulheres na política no Brasil, gera um isolamento da voz feminina no país e torna-se um desafio para combater a problemática em tese, pois favorece a desvalorização das reinvindicações políticas de benefício feminino, por parte da maioria masculina. Ademais, destaca-se o projeto de lei de autoria da deputada Marilia Arras que visava um programa de proteção a saúde menstrual, mas foi vetado e ridicularizado por figuras políticas masculinas.
Portanto, é indubitável, que medidas devem ser instauradas a fim de mitigar os efeitos da pobreza menstrual. Desta maneira, cabe ao Governo Federal, por meio do poder legislativo, elaborar leis que aumentem e incentivem a participação da mulher na política, com o objetivo de aumentar a representatividade e a influência feminina no âmbito político, favorecendo o desenvolvimento de projetos de combate a carência de utensílios íntimos. Sendo assim, será possível a manutenção de uma sociedade melhor e mais justa que evita a banalidade do mal.