Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 12/11/2021

Desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera a higiene menstrual como um direito humano mas, mesmo assim, muitas mulheres (especialmente de classes mais baixas) passam por um problema chamado de pobreza menstrual, que está relacionado à vulnerabilidade social, falta de acesso à informação, a absorventes e infraestrutura adequada. E isso tudo é impulsionado pelo tabu que gira em torno de autoconhecimento sobre o próprio corpo, especialmente relacionado ao corpo feminino. O tabu leva a falta de informações sobre o assunto em questão, e consequentemente este assunto é subestimado  e consequentemente  mudanças proativas e funcionais não são postas em prática.

Em 2017, uma marca inglesa de absorventes veiculou uma propaganda que representava a menstruação com um líquido vermelho, como o sangue realmente é porém era diferente de tudo o que tinha sido visto até então. Em propagandas, o sangue sempre foi representado por um líquido azul sendo derramado sobre o produto. A partir daí, fomentou-se um importante debate sobre o tema: por que não mostrar a menstruação como ela realmente é? Em algumas culturas de países do Oriente, a mulher é apartada de seu convívio social durante o período, porque é considerada “impura”. Ao traçar um parâmetro com o ocidente acerca do assunto, quando uma marca escolhe mascarar ou disfarçar a forma como a mulher menstrua, reforça um estigma antigo, tornando mais difícil o acesso à informação. Uma pesquisa da Plan International publicada em 2017, apontou que, na Europa, dois terços das mulheres não falam sobre o assunto com os homens que mais convivem. No continente africano, a situação pode ser ainda pior: em Gana, 90% das mulheres sentem vergonha de menstruar.

Com base no que já foi apontado, a naturalização  da menstruação é um processo necessário, já que mais da metade da população do planeta menstrua. A partir disso, muitas mulheres passaram a falar sobre o assunto nas redes sociais e nas ruas, com movimentos como o projeto Free Bleeding, por exeamplo que, traduzido para o português, se transforma em: Deixa Sangrar. Iniciativas como essa trazem às mulheres a consciência de que não precisam esconder seus ciclos.

Um dos principais bloqueios que impede a solução da pobreza menstrual é o tabu que gira em torno da menstruação e outros aspectos do corpo feminino, mas infelizmente isso não poderá ser resolvido a curto prazo, portanto uma solução apropriada seria se o governo distribuísse absorventes nos bairros cujo saneamento básico é mais precário e trabalhasse em conjuntos com diversas ONG’s que possam ajudar a combater esse problema para que além de mais recursos, mais informação e esclarecimento possa ser dado a todas as mulheres e talvez até homens que estiverem dispostos a aprender.