Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 12/11/2021
A menstruação sempre foi um tabu para muitos, e diversas pessoas acreditam que a menstruação é algo negativo e deve ser escondido. Devido a isso, é gerada desinformação sendo mais um fator que contribui com a pobreza menstrual, ou seja, a falta de informação e acesso dos absorventes. Isso também ocorre pois o governo não dá suporte a educação menstrual e a divulgação de informações.
O documentário “Absorvendo o tabu” da Netflix mostra a realidade das mulheres na Índia em relação ao período menstrual. É exibido a necessidade de ajuda para que a menstruação não seja tão complicada, pois, como não é um assunto frequentemente falado, muitas nem sabem o que é um absorvente. No Brasil não é muito diferente, segundo a CNN, mais de 4 milhões de meninas sofrem com falta de acesso à higiene básica e absorventes e uma a cada quatro jovens já faltou a aula por não poder comprar.
Essa ausência do absorvente também é provocada por ele ser visto como um produto cosmético e não como uma necessidade básica, e para substituir muitas mulheres usam jornal, pedaços de pano, miolo de pão, algodão, entre outros. Diferente da camisinha, que serve para atos sexuais, há a necessidade de usar absorvente e não podemos decidir se menstruamos ou não. O projeto de liberação de absorventes de graça havia sido aprovado pelo congresso em setembro, mas o presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição argumentando que não haviam prevenido fonte de custo para essas medidas e que o dinheiro viria dos recursos destinados ao SUS, justificando que os absorventes não custam na lista de medicamentos essenciais.
Em paralelo ao que foi dito, o projeto deve ser sim aprovado pelo governo brasileiro e pela OMS para ser também aceitos em outros países pois é uma necessidade básica, e estudantes de baixa renda, mulheres de rua e presidiárias não têm acesso para comprar absorventes, dessa forma estaremos combatendo a pobreza menstrual e seu tabu. Segundo a deputada Marília Arraes, a estimativa de financiamento do projeto de 84 milhões de reais por ano é suficiente, e as fontes de recursos para bancar seriam o SUS e o Fundo Penitenciário , além de que também seriam distribuídos nas cestas básicas.