Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/11/2021

Define-se a pobreza menstrual como os inúmeros desafios de acesso a direitos e insumos de saúde e higiene menstrual, como absorventes femininos, tampões íntimos e coletores menstruais. Estes desafios representam, para meninas, mulheres, homens trans e pessoas não binárias que menstruam, acesso desigual a direitos e oportunidades, o que contribui para retroalimentar ciclos de desigualdade de gênero, raça, classe social, além de impactar negativamente a trajetória educacional e profissional. Por isso, visando mais igualdade, a pobreza menstrual é uma pauta que deve ser resolvida.

Segundo um levantamento feito pela Unicef, mais de 4 milhões de meninas não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas. Meninas negras têm quase três vezes mais chances de viver nestas condições do que as brancas e 37% delas moram em locais sem saneamento básico, comparado a 24% das brancas. Isso demonstra que esse fenômeno é afetado pela desigualdade racial, social e de renda, pois uma pessoa que vive em uma situação de vulnerabilidade social geralmente possui menos informação sobre a menstruação e tende a não comprar itens de higiene, tanto por falta de dinheiro quanto por falta de informação. Também não há uma significativa dedicação do governo em fornecer informação e esses itens.

Além disso, essa falta de higiene, a dificuldade de acessar serviços e a pobreza menstrual podem ser fatores de estigma e discriminação, levando muitas vezes à faltas na escola e trazendo grandes impactos para sua vida, como a dificuldade para socialização, problemas de autoestima e o abandono dos estudos. Todos esses fatores também trazem consequências para a vida profissional das mulheres, por isso são necessárias melhorias para que essas pessoas possuam uma vida mais digna.

Portanto, visando resolver este grande problema da pobreza menstrual que afeta tantas pessoas no Brasil, é de suma importância que o Governo Federal promova iniciativas de distribuição de produtos de higiene menstrual, comece a levar aulas sobre educação sexual para as escolas, visando falar abertamente com meninos e meninas sobre menstruação e invista no saneamento básico de locais mais vulneráveis. Com isso, as pessoas terão mais produtos de higiene, mais informação e saneamento básico, sendo possível solucionar grande parte do problema da pobreza menstrual.