Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/11/2021
O termo ‘pobreza ou precariedade menstrual’ foi uma categoria criada na França, que mapeou os efeitos causados pela falta de itens de higiene básica necessários durante o ciclo menstrual. Nesse viés, Rayka Zehtabchi dirigiu o documentário “Absorvendo o Tabu” para retratar a realidade de meninas e mulheres que viviam cercadas de preconceitos acerca da menstruação. Além disso, o curta-metragem, que se passa em uma aldeia rural em Delhi, mostra como a condição econômica e financeira influencia na falta de acesso a recursos, infraestrutura e conhecimento sobre o assunto de importantíssimo debate. Portanto, essa realidade também não é distante no Brasil; logo, urge que medidas sejam tomadas para mudar a vivência dos indivíduos prejudicados.
Primeiramente, é importante ressaltar que o uso da água e de saneamento básico é muito desigual no Brasil. De acordo com o estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, 713 mil meninas vivem sem direito a banheiro ou chuveiro em suas casas, e mais de 4 milhões não têm acesso a itens básicos para sua higiene pessoal. Portanto, a menstruação acaba se tornando um fardo para as meninas, mulheres, homens trans e pessoas não binárias que menstruam e não têm condições financeiras para adquirir aquilo que seria de seu direito básico.
Em segunda análise, sabe-se que adolescentes de 10 a 19 anos não decidem sobre a alocação do orçamento da família, sobrando pouca ou nenhuma renda para ser utilizada na compra de produtos e insumos que ajudem a garantir a dignidade menstrual. Ou seja, o maior desafio está em combater o fardo que grande parte da população carrega, haja vista que a condição financeira impacta diretamente nas oportunidades desses indivíduos, que acabam por utilizar e reutilizar itens prejudiciais à saúde.
Em síntese, a pobreza menstrual é uma realidade desafiadora para milhões de cidadãs, que acabam por sofrer violações de direitos íntimos. Portanto, o combate à pobreza menstrual deve começar com reivindicações populares, que busquem exigir de políticas públicas uma democratização no acesso à informações sobre menstruação. Além disso, o Conselho dos Direitos Humanos (CDH) deve criar projetos de leis que garantam proteção à saúde menstrual, a fim de que mais mulheres possam ser atendidas em seus períodos menstruais.