Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 12/11/2021
O romance filosófico “Utopia“-criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI- retrata uma civilização perfeita e idealizada na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante a pobreza menstrual em questão no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão ao negligenciamento governamental, mas também ao silenciamento. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura.
Preliminarmente, evidencia-se que a pobreza menstrual está intimamente ligada a um negligenciamento governamental em nosso país.Visto que, segundo dados da Unicef, mais de 4 milhões de meninas não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais. Ferindo, desta maneira, o princípio constitucional da isonomia, que é o pilar de qualquer estado democrático de direito.
Além disso, é notório que o silenciamento também contribui para a persistência da problemática, devido a menstruação ainda ser um tabu para a sociedade. Apesar da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, garantir a todos os cidadãos o direito ao respeito e ao bem estar social, tal assertiva não se sustenta, uma vez que a sociedade feminina não têm acesso à informação nem a esse bem estar social,ficando à mercê das adversidades. Logo, tudo isso retarda o combate à pobreza menstrual no Brasil, já que o silenciamento atrelado a desinformação corroboram para a perpetuação desse deletério.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição da pobreza menstrual no Brasil. Assim, cabe ao governo, mediante um aumento de investimento, o papel de implantar mais banheiros, além de disponibilizar nos postos de saúde itens de uso pessoal das mulheres para manterem seu higiene,tais como sabonetes, absorventes e remédios para cólica, a fim de que a população feminina tenha acesso a esses cuidados, que são assegurados constitucionalmente. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia“ de Morus na sociedade brasileira.