Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/11/2021

Falar sobre menstruação ainda é tabu em nossa sociedade. A maioria das mulheres tem vergonha de discutir sobre processos naturais. Isso porque as questões relacionadas ao corpo feminino estão cheias de desinformação e estigma. No Brasil, um quarto das adolescentes não pode usar absorventes higiênicos durante a menstruação, conforme mostra o relatório Livre para Menstruar do Movimento das Meninas. O estudo “O Impacto da Pobreza Menstrual no Brasil”, encomendado pelo Always e realizado pela plataforma, segundo a pesquisa de Toluna, 28% das mulheres jovens pararam de frequentar as aulas por não poderem pagar absorventes internos. De acordo com a pesquisa divulgada em maio de 2021, 48%, ou quase metade dos entrevistados, escondeu que o motivo era a falta de absorventes internos.

O problema existe há muito tempo, mas depois que o presidente Jair Bolsonaro (apartidário) se levantou contra a promoção da saúde da mulher e rejeitou o plano de abastecimento de absorventes sanitários, o problema voltou à tona. A atitude do presidente gerou uma onda de críticas. Pobreza ou instabilidade menstrual refere-se ao nome de que meninas, mulheres e homens transexuais não podem obter produtos básicos para manter uma boa higiene durante a menstruação. Não é apenas por falta de dinheiro para comprar absorventes internos. Também está relacionado à falta ou instabilidade de infraestrutura no ambiente em que vivem, como banheiros, água e esgoto.

De acordo com o relatório “Pobreza Menstrual no Brasil - Desigualdade e Violação de Direitos” elaborado pelo UNICEF, aproximadamente 321.000 alunos (3% de todas as meninas da escola) estudam em locais sem bons banheiros. A pesquisa mostra que, no Brasil, 1,24 milhão de meninas (11,6%) não tem papel higiênico nos banheiros das escolas.

Podemos fazer com o que mais informações sobre a menstruação chegue nas escolas fazendo com o que as meninas fiquem mais bem informadas sobre o uso dos preservativos.