Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 12/11/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige uma garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil, que são recorrentes na vida das mulheres, constata-se que esse benefício não tem sido pragmaticamente assegurado. Com efeito, é necessário enunciar a ausência de leis governamentais e a falta de informações como pilares essenciais da chaga.

Primariamente, vale ressaltar a escassez de ações governamentais como promotora do problema da falta de higiene e condições sanitárias durante a menstruação. De acordo com Nicolau Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. Conquanto, percebe-se que, no território nacional, há a recorrência de obstáculos, tal qual a falta de instituições de distribuição gratuita de itens básicos, os quais atrapalham o combate à pobreza menstrual no país, já que o Estado não garante verbas decentes aos centros de apoio. Logo, discorrer criticamente acerca dessa problemática é o primeiro passo para a consolidação de um País equânime.

Ademais, é cabível pontuar que a carência de informações divulgadas por parte dos meios de comunicação social influencia na persistência do impasse. Nesse sentido, é lícito referenciar o filósofo grego Platão, que, em sua obra “A República”, narrou o intitulado “Mito da Caverna”, no qual homens, acorrentados em uma caverna, viam somente sombras na parede, acreditando, portanto, que aquilo era a realidade das coisas. Dessa forma, é notório que, em situação análoga à metáfora abordada, os brasileiros, sem acesso aos conhecimentos acerca da pobreza menstrual, vivem na escuridão, isto é, ignorância, gerando impotência para ajudar. Assim, medidas precisam ser tomadas com o propósito de atenuar o revés.

Portanto, o debate sobre os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil é imprescindível para garantir um nível de qualidade de vida satisfatório. Destarte, é imperativo que o Ministério dos Direitos Humanos - órgão máximo regulador dos direitos no país - agregue planos de desenvolvimento de instituições direcionadas especificamente à distribuição de itens de higiene fundamentais às empresas do ramo, por apoio financeiro, para que os empresários entrem em contato com a problemática, de modo a garantir o bem-estar das mulheres em geral. Além disso, urge que a mídia conceda espaço para a propagação do assunto, com o objetivo de orientar seus consumidores. Feito isso, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.